França e Alemanha fazem apelo por pacto climático mais flexível

Por Alister Doyle PARIS (Reuters) - França e Alemanha sugeriram nesta segunda-feira que nações ricas deveriam garantir coletivamente grandes cortes na emissão de gases até 2020 e conceder flexibilidade para que países retardatários no tema, como os Estados Unidos, se juntem mais tarde.

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A França disse que a ideia, sugerida durante conversas entre os 17 maiores emissores de gases do efeito estufa incluindo China, EUA, Rússia e Índia, poderia ajudar para que um novo pacto climático da Organização das Nações Unidas seja ratificado em encontro em Copenhague em dezembro.

"Pode haver mais flexibilidade entre a gente", disse o ministro do Meio Ambiente francês, Jean-Louis Borloo, em coletiva de imprensa no primeiro de dois dias de conversas entre ministros, lideradas pelo presidente norte-americano, Barack Obama, para ajudar em um novo tratado climático.

A França disse na conferência que um novo tratado climático da ONU, que deverá ser aprovado em Copenhague, traria oportunidades econômicas e não prenunciaria uma desaceleração provocada pelos custos energéticos em elevação.

"Copenhague...não é o início de uma recessão, é um novo começo em direção a um desenvolvimento de baixo carbono, sustentável, robusto e gerador de empregos para todos os países do mundo", disse Borloo na sessão de abertura.

Nas negociações da ONU, países em desenvolvimento liderados por China e Índia acusaram os países ricos de se preocuparem com a recessão e não cumprirem as promessas de assumir a liderança nos cortes do uso de combustíveis fósseis, liberadores dos gases-estufa.

Além disso, o secretário-geral da ONU, Ban Ki-moon, disse no domingo que Washington estava atrás da União Europeia nas promessas de combater o aquecimento global, mesmo com Obama planejando reduções maiores do que as previstas pelo seu antecessor, George W. Bush.

"Não acho que seja correto dizer que a Europa esteja propondo muito e os Estados Unidos, pouco", disse o enviado especial dos EUA para Mudança Climática, Todd Stern, à edição de terça-feira do diário francês Le Monde.

"Se você observa as coisas do ponto de vista do progresso que cada nação terá de fazer para atingir seus objetivos, o nível de esforço dos EUA é provavelmente igual, ou superior, ao da Europa", afirmou Stern.

Um projeto de lei aprovado por um importante comitê do Congresso na semana passada prevê cortes nas emissões norte-americanas de 17 por cento dos níveis de 2005 até 2020 - pouco abaixo dos níveis de 1990 após um aumento acentuado - e de 83 por cento dos níveis de 1990 até 2050.

A União Europeia prometeu cortar as emissões de forma mais drástica, em 20 por cento abaixo dos níveis de 1990 até 2020, e em 30 por cento se outros países ricos a seguirem.

O objetivo dos cortes é reduzir o aquecimento global, evitando mais ondas de calor, elevação do nível dos oceanos, extinções, inundações e secas.

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