PARIS (Reuters) - A França disse na segunda-feira ter mantido conversas com o Hamas, aparentemente desvinculando-se da política norte-americana de isolar o grupo islâmico palestino. O chanceler Bernard Kouchner confirmou o encontro, relatado pelo jornal Le Figaro em sua edição de domingo, a partir de entrevista com um embaixador aposentado que disse ter se encontrado com dirigentes do Hamas há cerca de um mês.

'Seria difícil negar isso uma vez que o homem que está em contato com eles falou', disse Kouchner à rádio Europe 1.

'Ter contatos é necessário. Tivemos alguns antes da invasão de Gaza,' disse ele, referindo-se ao domínio do grupo islâmico sobre a Faixa de Gaza, desde junho passado.

Tais contatos podem irritar o governo dos Estados Unidos, que repreendeu publicamente o ex-presidente norte-americano Jimmy Carter por ter se reunido em abril com o líder do Hamas no exílio, Khaled Meshaal.

Mas Kouchner minimizou a importância das conversas com o Hamas, alegando que 'não são relações, são contatos'.

'Temos de ser capazes de conversar se quisermos ter um papel, se quisermos que nossos emissários vão a Gaza antes de tudo. Mas a real discussão é entre os palestinos. Sempre dissemos isso.'

O ex-embaixador Yves Aubin de La Messuzière disse ao Le Figaro que os dirigentes do Hamas repetiram a ele a oferta já feita por Meshaal para que haja uma acomodação em longo prazo com Israel nas fronteiras pré-1967.

De acordo com o Le Figaro, ele esteve com dirigentes importantes, como Ismail Haniyeh e Mahmoud Al Zahar.

'Eles se disseram preparados para parar os ataques suicidas, e o que me surpreendeu foi que os líderes islâmicos reconhecessem a legitimidade de Mahmoud Abbas [o presidente palestino, da facção rival Fatah, com autoridade apenas sobre a Cisjordânia]', disse o diplomata.

'Em todos os gabinetes onde estive, sua foto está pendurada ao lado das de funcionários do Hamas', acrescentou.

Em abril, Israel rejeitou uma proposta do Hamas para que houvesse uma trégua de seis meses em Gaza, com a concomitante suspensão do embargo econômico israelense à Faixa de Gaza.

(Reportagem de Francois Murphy)

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