Por Margarita Antidze GORI, Geórgia (Reuters) - A Rússia não cumpriu integralmente os termos do cessar-fogo assinado com a Geórgia, afirmou nesta sexta-feira o ministro francês das Relações Exteriores, Bernard Kouchner, colocando em dúvida a retomada das negociações sobre uma parceria entre os russos e a União Européia (UE).

Soldados e tanques russos ingressaram nas regiões separatistas da Abkházia e da Ossétia do Sul e nas "zonas de segurança" adjacentes como parte de uma imensa contra- ofensiva lançada em agosto para afastar uma investida georgiana que tentava retomar o controle sobre a Ossétia do Sul.

A Rússia saiu das zonas-tampão nesta semana, antes do final do prazo (10 de outubro) previsto no cessar-fogo mediado pela França. Mas a Geórgia alega que os russos não cumpriram integralmente os termos do acordo porque soldados da Rússia continuam nas duas regiões separatistas.

Questionado na cidade georgiana de Gori, perto da Ossétia do Sul, sobre se a Rússia havia acatado o acordo de cessar-fogo, Kouchner respondeu a repórteres: "Acho que sim, mas parcialmente."

"Isso não se completou ainda. Isso não é perfeito. É apenas o começo. Não é o final", afirmou o chanceler, cujo país ocupa atualmente a Presidência rotativa da UE.

Depois de visitar a zona de segurança desocupada nesta semana pelas forças russas -- onde, segundo grupos de defesa dos direitos humanos, centenas de casas de moradores de origem georgiana haviam sido danificadas depois de o cessar-fogo entrar em vigor --, Kouchner criticou os militares russos.

"É sempre triste ver casas destruídas e pessoas voltando para descobrir que seus pertences estão em um estado lastimável", afirmou o ministro. "Isso não foi positivo para a imagem do Exército russo. De forma nenhuma."

DIVERGÊNCIAS NA UE

Em um comunicado divulgado em Bruxelas, o chefe da área de política externa da UE, Javier Solana, confirmou que as forças russas haviam se retirado das zonas adjacentes à Abkházia e à Ossétia do Sul.

"Essa retirada, assim esperamos, permitirá que as pessoas expulsas de suas casas regressem e contribuirá para a normalização das condições de vida", disse.

O presidente russo, Dmitry Medvedev, afirmou que seu país havia feito todo o possível para obedecer ao cessar-fogo. "Acho que, a esse respeito, tudo caminha bem."

Os ministros das Relações Exteriores dos países-membros da UE podem decidir na próxima semana sobre a retomada ou não das negociações com a Rússia sobre uma parceira estratégica. O processo deveria ficar suspenso até os russos cumprirem o cessar-fogo.

Kouchner disse não saber se a retomada das negociações ocorreria e indicou haver divergências entre os integrantes da UE. "Alguns não concordam. Há os que apóiam a Rússia e há os que são contrários à Rússia."

O governo russo pretende manter 7.600 soldados na Abkházia e na Ossétia do Sul, regiões reconhecidas como Estados independentes pela Rússia.

O país afirma ter sido obrigado a ingressar na Geórgia para impedir um suposto genocídio que seria realizado pelas forças georgianas.

Potências ocidentais afirmam que a resposta russa foi exagerada.

Diplomatas disseram que alguns membros da UE, entre os quais a Grã-Bretanha, a Polônia e os países bálticos, são favoráveis a esperar um pouco mais antes de retomar as negociações sobre a parceria com a Rússia.

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