França diz que negociações fracassaram na Costa do Marfim

Ministro francês diz que 'intransigência' de Laurent Gbagbo impediu diálogo sobre fim de crise no país

iG São Paulo |

O ministro das Relações Exteriores da França, Alain Juppé, disse nesta quarta-feira que fracassaram as negociações para que Laurent Gbagbo deixe a presidência da Costa do Marfim. Desde as eleições de novembro, Gbagbo se recusa a aceitar a derrota eleitoral para Alassane Ouattara, reconhecido internacionalmente como líder eleito do país.

A França liderava, junto com a ONU, as negociações para que Gbagbo pudesse deixar a Costa do Marfim em segurança. "As negociações ocorridas por horas ontem (terça-feira) entre a equipe de Laurent Gbagbo e as autoridades marfinenses fracassaram por causa da intransigência de Gbagbo", disse Juppé ao Parlamento francês.

AP
Soldados leais a Ouattara são vistos em Abidjan (06/04)

Na manhã desta quarta-feira, forças da oposição marfinense invadiram a residência oficial de Gbago, na tentativa de expulsá-lo do local, onde está escondido em um bunker. "Vamos tirar Laurent Gbagbo de seu buraco e o entregar ao presidente da República", disse Sidiki Konate, porta-voz do primeiro-ministro nomeado por Ouattara, Guillaume Soro.

Na terça-feira, a crise na Costa do Marfim parecia se aproximar de uma solução quando a Organização das Nações Unidas (ONU) e a França disseram estar negociando a rendição de Gbagbo com três militares leais a ele.

No entanto, horas depois Gbagbo disse que não está pronto para se render e reiterou que se considera o vencedor das eleições do ano passado. Segundo eles, as negociações são apenas para um cessar-fogo. "O Exército pediu a suspensão das hostilidades e está discutindo neste momento as condições para um cessar-fogo com as outras forças no terreno, mas no nível político não foi tomada nenhuma decisão", disse Gbagbo em entrevista por telefone à emissora de TV francesa LCI.

Nos últimos dias, a oposição apertou o cerco contra Gbagbo, com a ajuda de ataques aéreos de forças da ONU e da França. Na terça-feira, o presidente americano, Barack Obama, voltou a condenar a resistência de Gbagbo e expressou “profunda preocupação” com a situação na Costa do Marfim.

A crise no país começou em novembro, quando o resultado das eleições - aprovado pela ONU - indicou a vitória de Ouattara. O governo, então, anulou o conteúdo de urnas no norte da Costa do Marfim, afirmando que houve fraude, e declarou Gbagbo vencedor.

Desde então o país vem sendo palco de disputas intensas entre forças leais aos dois lados, e na semana passada forças leais a Ouattara lançaram uma ofensiva militar para tentar retirar Gbagbo do poder.

Simpatizantes de Ouattara e de Gbagbo se acusam mutuamente pelas mortes causadas pela onda de violência. Segundo o Comitê da Cruz Vermelha Internacional, ao menos 800 pessoas teriam sido mortas.

O secretário-geral da ONU, Ban Ki-moon, afirmou que os ataques têm como objetivo proteger civis e não eram uma declaração de guerra a Gbagbo. O comandante das forças de paz da ONU no país, Alain Le Roy, disse que a decisão foi tomada com base em uma resolução do Conselho de Segurança da ONU que autoriza esse tipo de ação.

Segundo ele, a intensidade do uso de armamentos pelas forças de Gbagbo e os calibres das armas vinham aumentando fortemente nos últimos dias. A missão da ONU no país também teria sido alvo de ataques contínuos, segundo ele.

A ONU anunciou ainda que enviará à Costa do Marfim um representante para investigar um massacre de centenas de civis na cidade de Duekoue, no oeste do país, na semana passada.

Nesta quarta-feira, o promotor-chefe do Tribunal Penal Internacional, Luis Moreno Ocampo, disse que investigará alegações de massacres sistemáticos ocorridos na Costa do Marfim devido à crise.
Ocampo disse que seguirá coletando evidências dos supostos crimes que teriam sido cometidos por ambos os lados.

Com BBC, Reuters e AP

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