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França diz que Conselho de Segurança é covarde com Mianmar

PARIS (Reuters) - O ministro das Relações Exteriores da França, Bernard Kouchner, disse na segunda-feira que são covardes os países membros do Conselho de Segurança da ONU que não concordam em pressionar Mianmar a abrir suas portas para a ajuda internacional. A França não conseguiu convencer o Conselho de Segurança que os comandantes militares de Mianmar devam deixar que a ajuda chegue às vítimas do ciclone Nargis, de acordo com o princípio da responsabilidade de proteger, reconhecido em uma resolução da Organização das Nações Unidas (ONU) de 2005, sobre conflitos armados.

Reuters |

A China, a Rússia, o Vietnã e a África do Sul se opuseram ao envolvimento do órgão. Eles consideram que esta é uma questão humanitária, não política.

'Denunciamos a morte iminente de milhares de civis e somos acusados de nos intrometer nos assuntos internos de um Estado soberano', disse Kouchner, fundador da organização Médicos Sem Fronteiras, em um artigo no jornal francês Le Monde.

Kouchner reconheceu que a resolução da ONU que estabelece a 'responsabilidade de proteger' foi aprovada tendo em vista conflitos armados e, por isso, não se aplica a Mianmar, atingida por um ciclone há duas semanas, deixando mais de 134 mil mortos e desaparecidos.

Mas ele citou uma resolução de 1988, que diz que deixar as vítimas de um desastre natural sem assistência humanitária 'constitui uma ameaça à vida humana e uma ofensa à dignidade humana' e convida os Estados necessitados a facilitar o trabalho dos grupos humanitários.

'Este é, de fato, um direito humano fundamental', disse Kouchner.

'A política internacional e moral prevêem que a emergência extrema seja respeitada. Os Estados membros do Conselho de Segurança não podem se esconder disso, em sinal de covardia', acrescentou.

Os comentários de Kouchner foram publicados antes da Associação das Nações do Sudeste da Ásia dizer, na segunda-feira, que Mianmar aceitaria a entrada de equipes médicas de países do sudeste da Ásia e que estava pronta para aceitar a ajuda de agências humanitárias internacionais.

As agências humanitárias dizem que o número de mortos pelo ciclone Nargis, um dos piores a atingir a Ásia, pode disparar caso o fornecimento de comida, água, abrigo e remédios não aumente significativamente nas regiões mais afetadas do delta do rio Irrawady.

A França enviou um navio de guerra com cerca de mil toneladas de material humanitário para as águas próximas ao delta, mas não obteve permissão da junta militar para entregar o carregamento.

O enviado da ONU a Mianmar acusou a França na sexta-feira de enviar um 'navio de guerra', acusação negada pelo embaixador francês. A França disse que a junta está prestes a cometer um 'crime contra a humanidade'.

(Reportagem de François Murphy)

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