França descarta relação entre ex-militares neonazistas e ataque à escola judaica

Segundo ministro, polícia investigava se soldados expulsos do Exército teriam cometido atentados como forma de vingança

iG São Paulo |

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Soldados franceses foram expulsos do Exército após foto em que aparecem fazendo saudação nazista
Autoridades francesas descartaram nesta terça-feira a possibilidade de três ex-soldados expulsos do Exército por atividades neonazistas estarem envolvidos no ataque a uma escola judaica em Toulouse. Os homens pertenciam ao mesmo regimento dos três soldados mortos na semana passada em dois atentados que teriam sido cometidos pelo mesmo atirador que matou quatro em frente ao colégio.

A previamente o francês do Interior, Claude Gueant, anunciou que a polícia conduzia uma investigação sobre “soldados que tinham sido expulsos do Exército e que poderiam estar em busca de vingança”. Mais tarde, porém, o jornal francês Le Monde e a rede britânica BBC indicaram que o envolvimento dos três foi descartado.

Os três homens deixaram as Forças Armadas em 2008, quando foi divulgada uma foto em que aparecem fazendo a saudação nazista e segurando uma bandeira com a suástica. Os três homens integravam o 17º Regimento em Montauban, onde aconteceu um dos ataques contra militares da semana passada.

Leia também: Atirador pode ter filmado ataque contra escola judaica na França

Na quinta-feira (15), um homem em uma moto abriu fogo contra soldados no momento em que sacavam dinheiro em um caixa eletrônico na cidade, localizada no sul do país. Dois morreram e o terceiro ficou gravemente ferido.

Quatro dias antes (dia 11), um atirador matou um militar em Toulouse. De acordo com fontes próximas à investigação, uma arma de calibre 11.43 mm e uma scooter T-MAX da marca Yamaha, roubada no dia 6, foram usadas nos dois casos e também no ataque à escola.

O número da placa da scooter foi registrado por câmeras de circuito interno da escola.

Nos ataques da semana passada, os três militares mortos eram de religião muçulmana e o que ficou feridos era negro, nascido nas Antilhas francesas. Com o ataque contra uma escola judaica, autoridades estudam a possibilidade de crimes racistas. A França tem a maior comunidade judaica da Europa ocidental, estimada em 500 mil judeus, e também a maior comunidade muçulmana, com cerca de 5 milhões de fiéis.

Ataque filmado

Nesta terça-feira, o ministro Claude Guant afirmou que o atirador pode ter filmado o ataque contra a escola . "Uma testemunha contou ter visto uma pequena câmera de vídeo amarrada ao pescoço do atirador", afirmou Gueant, em entrevista à rádio Europe 1. Ele acrescentou que imagens das câmeras de segurança da escola teriam mostrado algo pendurado ao pescoço do suspeito, que poderia ser um equipamento de filmagem.

Reuters
Em Paris, professora consola aluno durante homenagem às vítimas do ataque a uma escola judaica de Toulouse

De acordo com Gueant, autoridades vasculham a internet para descobrir se algum vídeo do ataque foi publicado. A informação sobre a suposta filmagem, segundo ele, ajuda a definir um "perfil" do suspeito. "Este homem é alguém muito frio, muito determinado, muito ciente de seus movimentos e muito cruel", afirmou o ministro, admitindo que a polícia não está perto de prender o acusado.

Os atos desataram a maior caçada por um culpado em anos recentes na França, envolvendo cerca de 200 policiais na investigação. O presidente da França, Nicolas Sarkozy, decretou ''alerta vermelho'' em todo o sudoeste do país.

Trata-se do mais elevado estado de alerta contra o terrorismo, permitindo que as autoridades imponham medidas extremas de segurança, como a realização de partulhas conjuntas feitas por policiais e militares e a concessão de poderes especiais para suspender o transporte público e fechar escolas. Policiais estão sendo posicionados do lado de fora de escolas religiosas, assim como em centros judaicos e muçulmanos.

Homenagem

Nesta terça-feira, as escolas da França fizeram um minuto de silêncio em homenagem às vítimas do atentado de segunda-feira. Sarkozy participou do ato em um colégio público no centro de Paris, localizado em frente a um memorial ao povo francês que ajudou os judeus durante o Holocausto, quando grande parte do país foi ocupada pelos nazistas.

"As crianças (que morreram no ataque) são exatamente como vocês. Aquilo poderia ter acontecido aqui", disse o presidente, reforçando a promessa de que o responsável será encontrado.

François Hollande, rival de Sarkozy nas eleições presidenciais, também participou da homenagem em uma escola de Pré-Saint-Gervais, na periferia de Paris.

Com BBC e AP

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