França condena militares do governo de Augusto Pinochet

Tribunal francês decretou prisão a 13 militares da ditadura chilena pelo desaparecimento de quatro cidadãos franceses

Reuters |

Um tribunal francês condenou nesta sexta-feira militares da ditadura chilena de Augusto Pinochet, a penas que vão de 15 anos de prisão à prisão perpétua. No total, foram condenados 12 militares chilenos e um argentino pelo desaparecimento de quatro cidadãos franceses na ditadura de Pinochet, na década de 70. 

A Justiça penal francesa considerou os militares, que não compareceram à audiência, culpados do crime de "sequestro acompanhado de torturas e de atos de barbárie". Os ex-agentes da ditadura chilena, no entanto, não cumprirão a condenação, já que o Chile não aceita extraditar os acusados. Mesmo assim, as famílias das vítimas expressaram satisfação com a decisão.

AFP
Foto tirada em 08/12/2010 na Corte Criminal de Paris mostra parentes de quatro cidadãos franco-chilenos que desapareceram durante ditadura de Augusto Pinochet, no Chile
Através de uma decisão especial, foi permitido que a audiência e a leitura do veredicto fossem filmados para ficar nos arquivos históricos.

Culpados

Manuel Contreras, 81 anos, que comandou a polícia secreta (Dina) durante o governo de Pinochet, e Pedro Espinosa Bravo, também ex-chefe da Dina, foram condenados à prisão perpétua, pena máxima do sistema Judiciário francês.

Após 12 anos de trabalho de instrução no caso e outros três de julgamento, os magistrados do tribunal condenaram também outros 11 acusados, 10 chilenos e um argentino. Três deles receberam penas de 30 anos; seis de 25 anos; um de 20 anos; e o restante, uma condenação de 15 anos.

O tribunal confirmou as ordens de prisão emitidas contra ele em 2005. Alguns deles, como Contreras, já cumprem condenações de detenção ou de prisão domiciliar no Chile por outras acusações.

A causa, aberta em 1998, gira em torno do desaparecimento no dia 11 de setembro de 1973, no Chile, do cidadão francês Georges Klein - assessor do gabinete do presidente socialista Salvador Allende -, sob ordens da junta militar liderada por Pinochet.

Desaparecimentos

Também estavam sendo investigados os desaparecimentos de Etienne Pesle, no dia 19 de setembro do mesmo ano, e dos membros do Movimento da Esquerda Revolucionária (MIR): Alphonse Chanfreau, no dia 30 de julho de 1974, e Jean-Yves Claudet-Fernández, no dia 1º de novembro de 1975.

"A investigação reuniu numerosas provas que permitem estabelecer que o presidente Augusto Pinochet, que comandava pessoalmente o Dina, conduziu uma política destinada a eliminar e fazer desaparecer adversários políticos", indicou a resolução judicial.

Durante a ditadura de Pinochet, que governou o Chile entre 1973 a 1990, foram 3.197 assassinados e desaparecidos, segundo um relatório oficial elaborado depois do retorno à democracia.

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