França caça autor de ataques contra escola judaica e soldados

Polícia envolve 200 policiais em investigação, que aponta que mesma arma e scooter foram usadas em ações que mataram sete desde semana passada

iG São Paulo |

A polícia francesa está ligando a morte a tiros de quatro pessoas em uma escola judaica de Toulouse às mortes de três soldados de ascendência norte-africana e muçulmanos em dois incidentes separados na semana passada. De acordo com fontes próximas à investigação, uma arma de calibre 11.43 mm e uma scooter T-MAX da marca Yamaha, roubada no dia 6, foram usadas nos três ataques. O número da placa da scooter foi registrado por câmeras de circuito interno da escola.

Os atos desataram a maior caçada por um culpado em anos recentes na França, envolvendo cerca de 200 policiais na investigação. Os investigadores trabalham com duas linhas principais de investigação: uma motivação islâmica ou de extrema direita.

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AFP
Corpo de um de dois soldados mortos por atirador em moto é visto em Montauban, França (15/3)

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O presidente francês, Nicolas Sarkozy, que descreveu a ação na escola como o pior ataque contra estudantes na história da França, decretou alerta vermelho antiterrorista na região sudoente, que inclui Toulouse. Ele também indicou que os ataques foram feitos pela mesma pessoa e disse que uma motivação antissemita parecia óbvia. As autoridades imediatamente elevaram o nível de segurança em todas as escolas e sinagogas do país, e haverá guardas em todas as instituições religiosas, sejam judaicas ou muçulmanas.

Antes de as aulas começarem, o motociclista com um capacete branco abriu fogo com duas armas pouco antes das 8h (horário local) em frente da escola judaica de Ozar Hatorah, matando o rabino de 30 anos Jonathan Sandler, seus filhos de 3 e 6 anos e a filha do diretor da escola, de 8 anos. Segundo o promotor de Toulouse, Michel Valet, um estudante de 17 anos ficou seriamente ferido.

"Ele disparou contra o que estivesse à sua frente, crianças e adultos", disse Valet. "Crianças foram perseguidas dentro da escola." Uma testemunha descreveu o homem como alguém que perseguia crianças pequenas e "procurava matar".

De acordo com uma autoridade que não quis ser identificada, 15 tiros foram disparados contra a escola. Os quatro mortos tinham dupla nacionalidade franco-israelense e, segundo a rádio pública israelense, suas famílias decidiram que serão enterrados em Israel.

Os promotores franceses estudam possíveis vínculos terroristas, mas o motivo para todos os três ataques ainda não está claro. As informações de que a mesma arma e scooter foram usadas nas três ações estimularam suspeitas de que um assassino em série está atacando minorias francesas, e não apenas judeus.

Os mortos na semana passada eram patrulheiros de origem norte-africana, enquanto um ferido era negro, nascido nas Antilhas francesas. Em todos os três casos, o agressor surgiu em uma moto, aparentemente sozinho, e então fugiu em velocidade. Um dos ataques contra militares foi lançado na quinta-feira na cidade de Montauban, sul do país, enquanto o outro aconteceu quatro dias antes em Toulouse.

A França tem a maior comunidade judaica da Europa ocidental, estimada em 500 mil judeus, e também a maior comunidade muçulmana, com cerca de 5 milhões de fiéis. O ataque desta segunda-feira revoltou a França, onde atos contra instituições de ensino e atentados mortais contra judeus são extremamente raros, e atraiu forte condenação de Israel e dos EUA.

Em visita à escola, o presidente francês classificou o ataque de "tragédia nacional" e prometeu encontrar e punir o responsável. "Essas também são nossas crianças, não apenas de vocês (em referência à comunidade judaica). É uma tragédia nacional", disse Sarkozy.

O líder afirmou que todas as escolas do país farão um minuto de silêncio na terça-feira, em homenagem às vítimas. "A barbárie, a selvageria e a crueldade não podem vencer. Nossa nação é muito mais forte", acrescentou.

Em razão do choque provocado pela tragédia, os partidos políticos decidiram suspender nesta segunda-feira a campanha das eleições presidenciais. O Carnaval de Toulouse, que ocorreria na quarta-feira, foi cancelado.

Repercussão

O grande rabino do país, Gilles Bernheim, disse-se "horrorizado" e "chocado" pelo ataque. "Poderíamos considerar que se trata de um ato antissemita, mas considero que toda a sociedade francesa foi visada no ataque", afirmou o presidente da Liga Internacional contra o Racismo e Antissemetismo, Alain Jakubowicz.

O governo de Israel condenou a ação e afirmou confiar que o governo francês investigará a tragédia e levará os culpados à Justiça. "Se foi um ataque terrorista ou um crime de ódio, a perda de vida é inaceitável", afirmou o ministro israelense da Defesa, Ehud Barak.

O primeiro-ministro israelense, Benjamin Netanyahu, condenou "o assassinato odioso de judeus, incluindo pequenas crianças". "É muito cedo para saber exatamente quais são as circunstâncias desses assassinatos, mas não podemos descartar a possibilidade de que tenha sido motivado por um antissemitismo violento e sangrento", declarou a membros de seu partido Likud.

A Casa Branca classificou o ataque desta segunda-feira de "ato hediondo de violência". "Nossos pensamentos e orações estão com as famílias e amigos das vítimas", acrescentou o porta-voz do Conselho de Segurança Nacional da Casa Branca, Tommy Vietor.

O Vaticano, por sua vez, manifestou sua "profunda indignação, seu horror e sua condenação mais firme". "O atentado de Toulouse contra uma escola e três crianças judias é um ato horrível e desprezível, que se junta a outros recentes de violência absurda que feriram a França", declarou o porta-voz do Vaticano, padre Federico Lombardi.

AFP
Corpo de um de dois soldados mortos por atirador em moto é visto em Montauban, França (15/3)
A União dos Estudantes Judeus da França convocou uma passeata silenciosa em Paris nesta tarde para homenagear as vítimas do tiroteio na escola. Uma cerimônia religiosa também será realizada em Toulouse com a presença das principais personalidades da comunidade judaica.

*AP e AFP

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