França autoriza casamento póstumo de militar morto em ataques

Namorada de Abel Chennouf está grávida; permissão é dada desde que trâmites burocráticos tenham sido iniciados antes de morte

iG São Paulo |

AFP
Abel Chennouf e sua namorado Caroline Monet. Ela recebeu autorização para se casar com o militar após ele ser morto em ataque na França em 15 de março
A presidência francesa autorizou a namorada de Abel Chennouf, que está grávida, para o registro civil do casamento que tinha planejado com esse militar, que foi assassinado em Montauban no dia 15 juntamente com o também militar Mohamed Legouade, informou nesta sexta-feira o advogado da família.

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A morte dos dois militares aconteceu no segundo de uma série de três ataques lançados num período de nove dias supostamente pelo franco-argelino Mohamed Merah , de 23 anos, morto na quinta-feira após um cerco policial de 32 horas em sua residência em Toulouse, sudoeste da França.

Além das mortes dos dois paraquedistas em Montauban, outro militar foi morto no dia 11 em Toulouse e, no dia 19, um rabino e três crianças em uma escola judaica . De acordo com autoridades, o suspeito viajou para o Afeganistão e Paquistão para treinamento e afirmou ter vínculos com a rede terrorista Al-Qaeda .

"Acabamos de conseguir a autorização do Eliseu para que a namorada de Chennouf possa realizar um casamento póstumo", disse o advogado Gilbert Collard, que esclareceu que já havia conseguido, em circunstâncias parecidas, autorizações para dois casamentos "de namoradas de policiais que morreram no exercício de suas funções".

De acordo com o advogado, essa permissão é regida por um artigo do Código Civil segundo o qual o presidente da República pode, por motivos graves, autorizar a celebração de um casamento póstumo desde que o morto tenha iniciado os trâmites burocráticos antes de morrer.

Defesa da inteligência

Nesta sexta-feira, o primeiro-ministro da França, François Fillon, defendeu a atuação das agências de inteligência do país após o governo enfrentar críticas sobre possíveis falhas de vigilância que teriam permitido que Merah, monitorado havia anos pelas autoridades francesas, cometesse os ataques.

De acordo com Fillon, não havia base legal para prender Merah antes dos ataques que deixaram sete mortos . “As agências fizeram seu trabalho perfeitamente”, disse o premiê, em entrevista a uma rádio francesa. “Não havia evidência que sugerisse que ele era um homem perigoso. Pertencer a uma organização salafista não é crime. Não podemos confundir fundamentalismo religioso com terrorismo, ainda que alguns elementos unam as duas coisas.”

Observadores internacionais e críticos da direita francesa pediram um inquérito sobre possíveis falhas de inteligência em relação a Merah.

Marine Le Pen , líder do partido de direita Frente Nacional e candidata às eleições presidenciais, disse que os assassinatos de Toulouse demonstram que a França "subestimou perigosamente a ameaça do extremismo muçulmano". O candidato socialista à presidência, François Hollande , também criticou a atuação das agências.

AP
Policial coleta evidências no apartamento em que Mohamed Merah, suspeito de ataques a tiros, esteve cercado por 32 horas
*Com AFP

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