Chancelaria francesa diz que a tentativa dos palestinos 'não tem chance alguma' de ser bem-sucedida no Conselho de Segurança

O Ministério das Relações Exteriores da França confirmou nesta sexta-feira que o país se absterá no caso de uma votação no Conselho de Segurança sobre a demanda de adesão de um Estado da Palestina na ONU .

Romain Nadal, porta-voz adjunto do ministério francês lembrou que a tentativa dos palestinos "não tem chance alguma de ser bem sucedida no Conselho de Segurança" em razão da oposição declarada dos Estados Unidos, que utilizarão seu direito de veto , caso seja necessário, mesmo com os possíveis "riscos de confrontos e um bloqueio" do Oriente Médio.

Mulher palestina em Ramallah, Cisjordânia, chora durante o discurso do presidente Mahmud Abbas na Assembleia Geral da ONU (23/9)
AP
Mulher palestina em Ramallah, Cisjordânia, chora durante o discurso do presidente Mahmud Abbas na Assembleia Geral da ONU (23/9)

"Por esse motivo, durante uma reunião do comitê de admissão, o representante permanente da França nas Nações Unidas afirmou que o país não tem outra escolha a não ser se abster no Conselho de Segurança", disse.

Romain Nadal lembrou ainda que, diante da Assembléia Geral da ONU, no dia 21 de setembro, o presidente Nicolas Sarkozy propôs "uma solução realista, que daria um status de Estado observador não-membro das Nações Unidas", isso permitiria uma adesão dos palestinos em agências especiais da ONU.

Um diplomata das Nações Unidas disse mais cedo que a França, o Reino Unido e a Colômbia comunicaram na quinta-feira aos outros membros do Conselho de Segurança da ONU (de 15 integrantes, dos quais EUA, China, França, Reino Unido e Rússia têm poder de veto) que se absteriam em uma eventual votação sobre o ingresso dos palestinos no organismo. Até o momento, o Reino Unido e a Colômbia não fizeram anúncios oficiais.

De acordo com o diplomata, a Alemanha também declarou que não apoiaria a iniciativa palestina, mas o país não esclareceu se votaria contra ou se absteria.

A decisão da França e a possível abstenção nos outros dois países representam uma derrota para os palestinos, que tentam conseguir seu apoio para o pedido de adesão apresentado em 23 de setembro pelo presidente Mahmud Abbas. Espera-se que o Comitê de Adesões , que estuda a inscrição palestina para integrar a ONU, apresente seu relatório sobre a questão na próxima semana.

Segundo fontes diplomáticas, Brasil, Rússia, China, África do Sul, Índia e Líbano, por outro lado, comunicaram que votariam a favor, enquanto os EUA confirmaram que seriam contra, reiterando que exerceriam seu poder de veto no caso de a medida ser aprovada por 9 dos 15 membros do órgão. Portugal, Gabão, Nigéria e Bósnia ainda não manifestaram sua decisão.

Apesar de as abstenções não terem grande importância em termos reais pelo fato de o veto americano ser uma certeza, importam em termos políticos e morais pela esperança dos palestinos de mostrar que poderiam isolar Washington no órgão. Isso parece improvável agora.

A reunião de quinta-feira do Comitê de Adesões também serviu para que os membros do Conselho de Segurança definissem o formato do relatório que o órgão deve enviar à Assembleia Geral dizendo se o Estado aspirante cumpre com os requisitos para filiar-se à ONU. De acordo com fontes diplomáticas, o comitê estará com o documento pronto em 8 de novembro. Ele, porém, só deve ir à votação no Conselho de Segurança três dias depois.

Antes do início da reunião, o representante palestino nas Nações Unidas, Riyad Mansour, disse que sua delegação segue em contato "intenso" com os 15 membros do conselho para tratar de seu pedido. "Nosso desejo é receber a recomendação do Conselho de Segurança", disse.

O diplomata reconheceu que seu pedido enfrentará o veto de "um membro muito potente" pelo que então "teremos de explorar as opções disponíveis, incluindo comparecer à Assembleia Geral", referindo-se à  possibilidade de recorrer a esse fórum para que obter o reconhecimento como Estado não membro do organismo.

Mansour também pediu na quinta-feira que o conselho aja contra as "represálias" iniciadas por Israel após a aceitação dos palestinos na Unesco (Organização das Nações Unidas para a Educação, a Ciência e a Cultura).

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O diplomata disse que os palestinos querem que o principal órgão internacional de segurança reaja, preferivelmente mediante uma resolução, à construção de novos assentamentos anunciada por Israel durante esta semana e à ameaça de reter impostos pertencentes à Autoridade Nacional da Palestina (ANP).

*Com AFP, EFE e BBC

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