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Paris, 28 ago (EFE).- O ministro de Assuntos Exteriores da França, Bernard Kouchner, apresentou hoje um plano para modernizar a diplomacia do país e fazer frente aos desafios da globalização, que inclui a reforma das estruturas da administração central e a reorientação dos meios da diplomacia de influência pública.

Na conferência anual de embaixadores franceses, Kouchner, que lembrou que já tinha dito que gostaria de falar em um "Ministério da Globalização", apresentou um "projeto de modernização global a longo prazo".

A administração central da diplomacia passará a identificar três grandes funções (ação política, tratamento dos desafios mundiais e gestão) e será criada uma direção de perspectiva, dedicada à informação e à análise, e uma direção geral encarregada de temas relativos à globalização e cooperação.

Esta se encarregará, entre outros aspectos, da "diversidade cultural e lingüística" e dos "bens públicos mundiais" (meio ambiente, energia, recursos naturais, saúde e educação), assim como da economia global, das estratégias de desenvolvimento, da religião, da demografia e das religiões.

A França é o país com a segunda maior rede diplomática do mundo, depois dos Estados Unidos, e conta com 158 embaixadas, 17 representações em organismos internacionais e 16.400 funcionários (mais 4.700 contratados locais em institutos e centros culturais no exterior).

Este ano, já foram destinados recursos de 4,5 bilhões de euros para a ação francesa no exterior, o que representa 1,6% do orçamento do Governo.

Kouchner anunciou a reorganização dos meios diplomáticos em três categorias de embaixadas: 30 de competências ampliadas (que se encarregarão de todas as funções do Estado no exterior), 100 de missão prioritária (com objetivos concretos de acordo com o país) e 30 de presença diplomática (para favorecer a influência francesa através de uma rede de contatos).

O chanceler também lembrou que começou em julho um "centro de crise", cuja "pertinência" ficou provada pelos "recentes acontecimentos na Geórgia", onde trabalham 50 agentes e que integra os aspectos humanitários e a proteção dos franceses que moram no exterior.

Além disso, Kouchner afirmou que serão revisadas as formas de remuneração dos diplomatas, que agora passarão a receber levando em conta seus méritos, sua imaginação e sua audácia, além de destacar embaixadores particularmente "expostos", como os de Cabul, Islamabad, Bagdá e Argel.

Kouchner insistiu que, apesar de o Ministério de Assuntos Exteriores participar da redução do déficit dos gastos do Estado, a reforma atende a razões estratégicas e não orçamentárias. EFE jaf/wr/gs