Porto Príncipe, 17 fev (EFE).- O presidente da França, Nicolas Sarkozy, anunciou hoje uma ajuda para o Haiti de 326 milhões de euros (US$ 444 milhões), que inclui o perdão da dívida com Paris, avaliada em 56 milhões de euros (US$ 76 milhões), e 180 milhões de euros (US$ 245 milhões) para tarefas de reconstrução.

Sarkozy, primeiro presidente da França que visita o Haiti, fez este anúncio durante uma entrevista coletiva oferecida junto ao líder haitiano, René Préval, com quem se reuniu para conhecer os projetos de reconstrução após o terremoto de 12 de janeiro passado, que causou a morte de 217 mil pessoas.

"É minha resposta antes que me façam a pergunta", disse Sarkozy em referência ao perdão da dívida e ao pedido internacional para que se restitua ao Haiti o dinheiro que durante anos teve que pagar para que a França reconhecesse sua independência, proclamada em 1804.

A França fornecerá ao Haiti alojamento para 200 mil pessoas em barracas e tendas, reconstruirá o hospital da Universidade de Estado do Haiti, o principal do país, destinará 260 veículos policiais, de bombeiros e ambulâncias e enviará ao país caribenho jovens que trabalharão em trabalhos de escolarização infantil.

O líder também anunciou que seu país ajudará na reconstrução de uma parte das instalações dos serviços públicos e prometeu "dezenas de toneladas" de adubos e sementes para o campo.

Se as autoridades haitianas estiverem de acordo, a França acolherá crianças e adolescentes que ficaram órfãos depois da tragédia. Além disso, a França também destinará ao Haiti todos os recursos de engenharia que possui em seus territórios ultramarinos.

Sarkozy convidou o Haiti a criar as bases de um "consenso nacional" para iniciar um "projeto nacional" e se mostrou favorável que não se reconstrua como foi feito até agora, assim como de compartilhar as riquezas, que devem "beneficiar todo mundo".

Em sua opinião, é necessário tomar cuidado com as rivalidades no país, para evitar que também se estendam ao âmbito da comunidade internacional em matéria de ajuda.

Segundo ele, a França não exercerá rivalidade alguma no que diz respeito à ajuda ao Haiti.

"Os Estados Unidos fizeram um bom trabalho", afirmou Sarkozy.

Além disso, destacou o trabalho dos canadenses, dos brasileiros e das agências da ONU e assegurou que a França se unirá a eles.

Em referência aos US$ 14 bilhões que, segundo o Banco Interamericano de Desenvolvimento (BID) custará a reconstrução, o presidente francês disse que "não se deve condenar o Haiti ao assistencialismo". Para ele, isso pode enfraquecer a iniciativa privada.

"A melhor ajuda é a que permite realizar investimentos", disse Sarkozy, que viajou ao Haiti acompanhado do ministro de Assuntos Exteriores francês, Bernard Kouchner, o de Cooperação, Alain Joyandet, e a titular de Territórios Ultramarinos, Marie Luce Penchard.

O presidente haitiano expressou seu reconhecimento à França. "O senhor veio, ouviu e viu" a situação, disse Préval, que mostrou sua admiração pelo trabalho dos socorristas franceses e concordou com Sarkozy que "não é o momento de reconstruir, mas de construir". Além diss, defendeu um plano de "refundação".

Préval reiterou a dificuldade de realizar eleições por falta de "condições materiais e humanas". Ele explicou que é necessário construir o Estado, organizar suas instituições, os poderes locais e "edificar um novo país para o bem-estar dos haitianos", o que inclui uma "nova cidadania".

Para Sarkozy, também é muito importante obter avanços no desenvolvimento democrático do país caribenho, cuja história, disse, está marcada por inúmeras constituições, vários chefes de Estado assassinados e uma "abominável ditadura".

No entanto, neste momento é difícil pensar na realização das eleições legislativas previstas para este mês, algo que, no entanto, corresponde decidir aos haitianos, afirmou.

O presidente, que sobrevoou de helicóptero a devastada cidade, expressou o impacto que lhe causou a catástrofe. "A realidade é pior ainda do que eu imaginava", confessou.

A visita de Sarkozy, de pouco mais de três horas, incluiu também um ato na embaixada da França. No encontro, ele defendeu uma reconstrução que beneficie todo o povo, "não somente uma pequena parte da população que já acumula as riquezas, não somente a república de Porto Príncipe em detrimento do país do interior", disse. EFE gp/sa

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