França abandona acordo para explorar gás no Irã

A gigante de petróleo francesa Total anunciou que não vai mais investir nas reservas de gás iranianas por considerar os planos politicamente arriscados. Em entrevista ao diário financeiro britânico Financial Times nesta quinta-feira, o diretor-geral da empresa, Christophe de Margerie, disse que as ambições de desenvolver o gigantesco campo de gás iraniano de South Pars, no Golfo Pérsico, não irão em frente.

BBC Brasil |

"Atualmente nós estaríamos correndo um risco político muito alto em investir no Irã porque as pessoas dirão que a Total faria qualquer coisa por dinheiro", disse Margerie ao FT.

O anúncio ocorre um dia depois que o Irã testou uma série de mísseis em um local remoto do deserto. Um deles, o Shahab-3, pode alcançar uma distância de dois mil quilômetros, com capacidade de atingir Israel.

Impacto
Analistas acreditam que a decisão da Total terá um forte impacto sobre a indústria energética iraniana, que a partir de agora dificilmente conseguirá aumentar suas exportações de gás na próxima década.

A companhia francesa tem um memorando de entendimento com a estatal iraniana Empresa Nacional Iraniana de Petróleo para desenvolver a fase 11 de exploração da metade do campo South Pars.

Em maio, a Total disse que estava interessada em trabalhar no projeto com a companhia malaia Petronas.

Mas a reviravolta nos planos franceses lança dúvidas sobre se a Total investirá na república islâmica em um futuro próximo.

A Total era a última grande empresa de energia ocidental a ter considerado investir seriamente nas imensas reservas de gás iranianas.

A empresa é ainda uma das únicas a dispor da tecnologia necessária para explorar as reservas.

Para o correspondente da BBC em Teerã Jon Leyne tem sido particularmente frustrante para o Irã ver o Catar extrair imensas quantidades de gás do seu lado do campo de South Pars, o que o torna um dos maiores fornecedores de gás do mundo.

Tensão
Os comentários do presidente da Total ocorrem em meio à tensão crescente entre Irã e Israel. Vários países, em particular os Estados Unidos, vêm pressionando o país islâmico para que paralise o seu programa nuclear.

Na terça-feira, os Estados Unidos impuseram novas sanções financeiras a várias companhias e indivíduos iranianos, suspeitos de envolvimento com o programa nuclear do país.

Entre os afetados pelas sanções estão um cientista do ministério da Defesa iraniano, Mohsen Fakhrizadeh-Mahabadi, e três empresas que estariam associadas à indústria de armas.

    Leia tudo sobre: iG

    Notícias Relacionadas


      Mais destaques

      Destaques da home iG