Fragmentada e medíocre, escola pública dos EUA é um desafio para Arne Duncan

Jovens de todo o planeta aspiram a estudar nas famosas universidades americanas, mas a escola primária e secundária da superpotência mundial está caindo aos pedaços, fragmentada e atrasada em relação à das nações desenvolvidas.

AFP |

Melhorar a situação do sistema educacional americano será a tarefa do novo secretário de Educação do futuro governo de Barack Obama, Arne Duncan, reconhecido pelo trabalho realizado no terceiro maior distrito educacional do país.

O presidente eleito dos Estados Unidos, Barack Obama, havia designado na terça-feira como futuro secretário da Educação (corresponde ao nosso cargo de ministro) o diretor das Escolas Públicas de Chicago, Arne Duncan, 44 anos. Amigo de longa data de Obama, Duncan é considerado um visionário e reformista que não tem medo de correr riscos.

Obama, que tomará posse no dia 20 de janeiro, recordou que o resgate do sistema nacional de ensino esteve no centro de sua campanha eleitoral, num momento em que os estudantes americanos não brilham nas classificações internacionais.

Barack Obama, que na juventude jogava basquetebol com Arne Duncan, afirmou também que o pedagogo irá lutar para melhorar a qualidade dos professores e das escolas.

No entender de Obama, o esforço a longo prazo para mudar o país vai começar com as escolas nacionais.

"A longo prazo, o caminho para o trabalho e para o crescimento começa aqui mesmo, nas escolas da América e nas salas de aula da América", disse Obama, ao lado de Duncan, no campo de basquete de uma escola primária de Chicago.

Duncan é presidente das Escolas Públicas de Chicago desde 2001. Já atuou como capitão da equipe de basquete da Universidade de Harvard; jogou profissionalmente na Austrália depois de ter-se licenciado. Regressou a Chicago em 1992 para dirigir o programa destinado a criar oportunidades para as crianças carentes da zona sul de Chicago.

Cerca de 50 milhões de alunos estão matriculados nas escolas públicas americanas, dos quais 35 milhões no ensino primário (de 6 a 14 anos) e 15 milhões no secundário (até 18 anos). As escolas privadas contam com outros 5 milhões de alunos, segundo o Centro nacional de estatísticas sobre educação (NCES).

Mas, ao contrário de muitos países industrializados, o sistema educacional dos Estados Unidos é descentralizado e administrado por autoridades estatais ou locais, com níveis de rendimento diferentes em todo o país, e até dentro dos mesmos estados.

Uma lei do presidente George W. Bush de 2001, intitulada "Que nenhuma criança fique em atraso", tentou unificar o nível de instrução ao impor provas nacionais regulares de matemática e leitura.

A iniciativa foi aplaudida por tentar resolver um dos problemas inerentes ao sistema, mas também foi muito criticada por estimular a aprendizagem rápida e a memorização.

Estudos recentes mostram que os meninos americanos estão "na zaga" em relação às demais crianças de outros países ocidentais.

No entanto, o "custo" de um aluno está entre os mais elevados dos países da Organização de Cooperação e Desenvolvimento Econômico (OCDE): mais de 9.000 dólares por ano para o ensino primário contra 5.300 dólares na França.

Os Estados Unidos se situam no 21º lugar em termos de cultura científica entre os jovens de 15 anos, muito atrás de Finlândia, Canadá e Japão, primeiros da lista, e no 25° lugar em matemática, entre Espanha e Portugal.

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