Fracasso de Governos condena milhões de crianças a ficarem na pobreza

María Luisa Gaspar. Paris, 25 nov (EFE).- Milhões de crianças estão condenadas a viver na pobreza por causa do fracasso dos Governos na luta contra as desigualdades na educação e apesar de prometerem que as superarão em 2015, diz um relatório divulgado hoje pela Unesco.

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Quando faltam menos de sete anos para a meta, o documento afirma que o acesso à educação ainda depende de "desigualdades inaceitáveis" fundadas na renda, no sexo, na etnia ou no local de residência, o que em 2006 se traduzia em 75 milhões de crianças - 55% meninas - sem escolarização e 776 milhões de adultos - dois terços do sexo feminino - analfabetos.

Assim indica o Relatório de Monitoramento Global de Educação para Todos 2009, apresentado hoje simultaneamente em Genebra e Santiago do Chile e publicado em Paris.

Caso persista a tendência atual, os analistas prevêem - faltando informações para certos países em conflito - que em 2015 haverá pelo menos 30 milhões de crianças sem escolarização e 700 milhões de adultos iletrados.

A "indiferença política", algumas estratégias educacionais "pouco enérgicas" e "o fracasso dos doadores" são os responsáveis desta situação.

Entre outros "rumos inquietantes", o documento cita os US$ 30 bilhões que ainda faltam para cumprir os objetivos da Educação para Todos (EPT), do aumento de US$ 50 bilhões prometido em 2005 pelos doadores.

O relatório, intitulado "Superando a desigualdade: porque a governança é importante" conclui que a EPT em 2015 não será alcançada sem endireitar urgentemente a situação.

Ao comentar suas conclusões no relatório, o diretor-geral da Unesco, Koichiro Matsuura, destacou a necessidade de atuar "com um maior sentido da urgência".

O relatório afirma que já faz oito anos que mais de 160 países prometeram em Dacar fazer o necessário para que em 2015 todo o mundo, incluídas mulheres e meninas mais pobres do globo, tivessem acesso, desde a idade pré-escolar, a uma educação de qualidade.

Por isto destacam que um Governo que afirme querer impulsionar a EPT, em seu país ou com sua ajuda externa, deve dar prioridade "à eqüidade e à justiça social".

Trata-se de evitar, por exemplo, que uma em cada três crianças - 193 milhões no total (40% na Ásia Meridional) - cheguem à escola com problemas de desenvolvimento cerebral por causa da desnutrição.

O relatório também revela que no Brasil, na Indonésia e na Tunísia 60% ou mais dos alunos estão no nível mais baixo de algumas avaliações internacionais de aproveitamento escolar.

Do lado dos progressos alcançados após o encontro de Dacar, o relatório destaca o aumento do índice de escolarização nos países em desenvolvimento, que passou na África Subsaariana de 54% em 1999 para 70% em 2006 e no sudeste e oeste da Ásia de 75% para 86%.

A América Latina, na qual a maior parte dos países já conseguiu universalizar o ensino primário e estão em expansão no ensino pré-escolar, secundário e superior, oferece o "exemplo encorajador" dos programas impulsionados no Equador, no Brasil e no México "de transferência de renda" para as famílias mais pobres.

Outros modelos aplicáveis para vencer a principal barreira contra a EPT, as desigualdades, vêm de Etiópia, Tanzânia, Bangladesh e Nepal, por seus "inesperados" e enormes progressos, destaca.

Feito o diagnóstico, a estratégia para enfrentar o desafio mundial educacional também é muito clara para os autores do relatório: atuar o mais rápido possível, mas na direção correta, pois aumentar o orçamento educacional ou a ajuda externa à EPT não será efetivo caso não se destine aos grupos mais vulneráveis e desfavorecidos.

Denuncia o "desvio de orçamentos" outorgados em ajuda à educação a países de rendas baixas, por parte do Japão, que só dedica 17% à educação de base.

Mas especialmente critica Alemanha (7%) e França (12%), que destinam a maior parte destes fundos destinados à ajuda à educação em países com menos recursos a estudantes estrangeiros formados em suas próprias universidades, com o que parte dos fundos são revertidos a estes países mais desenvolvidos. EFE lg/fal

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