O presidente zimbabuano, Robert Mugabe, e seus ex-inimigos políticos não conseguiram nesta quinta-feira chegar a um consenso sobre a formação do futuro governo de união, três dias depois da assinatura de um acordo histórico de compartilhamento do poder.

O presidente Mugabe, o líder do Movimento pela Mudança Democrática (MDC, Morgan Tsvangirai, e Arthur Mutambara, chefe de uma facção dissidente do MDC, iniciaram no início da tarde negociações sobre a composição do futuro governo.

"O encontro não permitiu chegar a um acordo, devido a contestações sobre a atribuição dos ministérios-chave", explicou à AFP o porta-voz do MDC, Nelson Chamisa.

"Os negociadores (de cada partido) vão marcar uma reunião de emergência para tentar superar o bloqueio", acrescentou.

Uma fonte ligada à oposição, que não quis ser identificada, afirmou que as negociações de hoje fracassaram por causa de exigências do partido no poder há 28 anos, a União Africana do Zimbábue-Frente Patriótica (Zanu-PF).

"A Zanu-PF quer todos os ministérios importantes, como a Defesa, as Finanças, as Coletividades Locais e a Informação. Nós queremos uma distribuição justa das pastas", declarou a fonte.

Segundo os termos do acordo histórico assinado segunda-feira, Robert Mugabe, 84 anos, vai ficar na presidência, Tsvangirai vai assumir o cargo de primeiro-ministro e Mutambara vai se tornar seu adjunto, em um governo que terá 15 ministros da Zanu-PF, 13 do MDC e três da facção dissidente do MDC.

Entretanto, o acordo não define as pastas atribuídas a cada partido.

A instauração do governo de união é esperada com impaciência no Zimbábue, onde a população é assolada pela hiperinflação, pelo desemprego e por penúrias crônicas.

As autoridades sul-africanas anunciaram nesta quinta-feira a instalação de uma célula de crise para ajudar a "ressuscitar" o setor agrícola do Zimbábue.

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