Fracassa tentativa de conter vazamento de petróleo

Primeira tentativa para conter desastre no Golfo do México consistia em colocar uma caixa de aço e cimento sobre o poço

EFE |

A primeira tentativa de tapar com uma caixa de aço e cimento o poço de petróleo que está vazando óleo no Golfo do México não funcionou, por causa da formação de cristais de gelo que bloquearam a cúpula da estrutura. "Não podemos dizer que fracassamos ainda (com a caixa), mas posso dizer que as tentativas que desenvolvemos até agora não funcionaram", disse neste sábado, em entrevista coletiva, o diretor de operações da British Petroleum (BP), Doug Suttles.

A instalação da caixa, de 100 toneladas e altura de um prédio de três andares, é uma das grandes esperanças para canalizar o vazamento de óleo do poço, que derrama a cada dia no mar cerca de 800 mil litros de petróleo. A caixa conta com uma cúpula na parte superior, de onde sai um encanamento através do qual o petróleo seria bombeado para um navio na superfície, com capacidade de armazenar até 128 mil barris (20,4 milhões de litros).

AP
Boias tentam conter mancha de petróleo no rio Mississippi

Na sexta-feira à noite, após uma longa operação, foi possível posicionar a caixa sobre o poço de petróleo, a 1.500 metros de profundidade, mas foi preciso retirá-la da posição depois que foi detectado que, devido às baixas temperaturas, estavam se formando cristais de gelo que tapavam a cúpula.

A formação de gelo, explicou o diretor, foi causada pelas baixas temperaturas e a pressão a essa profundidade, assim como a presença de gás natural na saída do poço.

"Movemos (a caixa) para o lado enquanto decidimos como solucionar este inconveniente que surgiu", disse o diretor da BP, que lembrou que a instalação da estrutura era uma iniciativa que nunca tinha sido realizada em tamanha profundidade.

Em paralelo, a BP está avançando na perfuração de um poço alternativo, perto do que está vazando, que serviria para injetar um líquido mais pesado que o petróleo que atuaria como uma espécie de tampão e impediria que o óleo continuasse saindo.

Calcula-se que já tenham vazado do poço 31 milhões de litros de petróleo no mar, desde o afundamento da plataforma da BP, no dia 22 de abril, dois dias depois de explodir.

O diretor da BP não quis confirmar hoje se a explosão se deveu à saída do poço de uma grande bolha de gás metano que se incendiou, como informou neste sábado a imprensa americana, citando um relatório da companhia.

"Meu papel é coordenar a resposta ao desastre, não estou ciente da investigação interna desenvolvida pela companhia", disse.

Enquanto isso, na superfície do mar, prosseguem as tarefas para tentar conter a expansão da mancha de óleo, que ainda ameaça a costa de vários estados do sul dos Estados Unidos.

As equipes que atuam no Golfo do México utilizaram até o momento um milhão de litros de "dispersantes" - produtos químicos que têm a capacidade de quebrar a estrutura do petróleo, o que faz com que ele afunde.

Desta maneira, a mancha de petróleo desapareceria da superfície, o que evitaria que a costa americana fosse poluída e que aves e mamíferos marinhos fossem afetados.

No entanto, o uso de dispersantes não reduz a quantidade de petróleo no mar, segundo ecologistas e especialistas, que advertiram sobre consequências desconhecidas que estes produtos podem ter na vida marinha.

AFP
Mancha de petróleo atinge as ilhas Chandeleur na sexta-feira

A Aliança do Sul para a Energia Limpa (SACE, na sigla em inglês) denunciou que a aplicação de dispersantes, apesar de evitar o dano em aves e mamíferos, "tem um potencial devastador para os animais que não têm que sair à superfície para pegar ar, assim como para todos os ecossistemas submarinos, como os corais". "Dispersar o petróleo torna mais difícil recolhê-lo. Além disso, a poluição permanecerá no meio ambiente e os organismos marítimos estarão expostos a ela durante décadas."

A organização é contra, especialmente, o uso de Corexit 9500, um composto que considera ser mais tóxico que o petróleo e que pode causar, em altas doses, segundo pesquisas, "dores de cabeça, vômitos e problemas reprodutivos".

Em declarações ao jornal "Times Picayune", de Nova Orleans, o professor da Universidade da Louisiana Ed Overton defende a decisão de utilizar os dispersantes, por ser "a menos má". No entanto, adverte que "é impossível saber com certeza seu efeito na vida marinha".

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