Fracassa reunião entre Uribe e indígenas colombianos

Ovidio Castro. Bogotá, 26 out (EFE).- A reunião prevista entre o presidente colombiano, Álvaro Uribe, e cerca de 40.

EFE |

000 indígenas reunidos na cidade de Cali foi um fracasso, e além disso se viu denegrida pela fuga do ex-congressista Oscar Tulio Lizcano, cativo das Forças Armadas Revolucionárias da Colômbia (Farc).

Uribe, que viajou para Cali, capital do departamento de Valle del Cauca (sudoeste), em companhia de seu ministro da Defesa, Juan Manuel Santos, para participar dessa reunião, acabou dedicando o dia inteiro à inesperada fuga do ex-refém, seqüestrado pelas Farc desde 5 de agosto de 2000, a que recebeu junto com o guerrilheiro conhecido como "Isaza", que o ajudou a fugir.

Assim, o presidente chegou com várias horas de atraso às imediações do Centro Administrativo Municipal de Cali, onde foi apesar de sua negativa anterior, alegando razões de segurança.

Mas quando chegou, os nativos se negaram a falar com ele.

A reunião estava prevista para a 9h hora local (12h de Brasília) para negociar uma agenda de cinco pontos, entre eles as violações dos direitos humanos e a crise humanitária vivida por estes povos, por causa dos maciços deslocamentos motivados pelo conflito armado.

Mas Uribe chegou ao local ao cair da tarde, quando os indígenas tinham começado a ir embora, desmontando cadeiras e mesas. Ele então de uma passagem elevada para pedestres, com um megafone na mão, se dirigiu aos congregados.

No entanto, os indígenas começaram a gritar insultos contra ele, como "paraco, paraco" (paramilitar).

"É esse o diálogo que querem? É para isso que me convidaram para dialogar amanhã?", respondeu Uribe, enquanto permanecia em seu palanque improvisado.

Diante da demora de Uribe, os indígenas sugeriram que a frustrada reunião poderia ser realizada nesta segunda-feira, no estádio de futebol "Pascual Guerrero".

Visivelmente irritados, também se queixaram porque não puderam debater com o presidente suas reivindicações, como a exigência de terras, pactos assumidos pelo Governo e que não foram cumpridos, assim como o genocídio do qual dizem ser vítimas.

Durante o dia, a queda de braço entre as partes se centrou em que os nativos pediam que a reunião acontecesse em um lugar aberto para que todos os líderes pudessem expressar seus pontos de vista.

No entanto, Uribe tinha dito que os receberia, mas em um lugar fechado, que bem poderia ser nas instalações de um canal de televisão regional ou em outro local fechado.

Diante do impasse, Daniel Piñacué, líder do protesto indígena, disse à imprensa que eles estavam avaliando o assunto, "porque era um esforço muito grande" o que tinham feito.

Por isso, disse que se o presidente não se reunir com eles esta segunda-feira, a grande marcha indígena que começou na terça-feira passada no departamento de Cauca (sudoeste) seguirá até Bogotá.

Antes que o presidente Uribe chegasse ao local, os nativos tinham negado a palavra ao ministro do Interior e Justiça, Fabio Valencia Cossio, ao considerar que seu único interlocutor é o presidente da República.

A grande marcha indígena chegou à cidade de Cali no sábado, onde pernoitaram ao relento.

O porta-voz do Conselho Regional Indígena de Cauca, Feliciano Valencia, considerou que o número de pessoas concentradas chega a cerca de 50.000, pois aos nativos se somaram sindicalistas, caminhoneiros e cortadores de cana-de-açúcar, estes últimos em greve desde o dia 15 de setembro. EFE ocm/ma

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