Lideranças ruralistas e representantes do governo argentino não conseguiram chegar a um acordo nesta quinta-feira, na primeira reunião depois que os ruralistas decidiram suspender, na quarta, os protestos que prejudicaram o abastecimento no país. Após uma hora de reunião, no Ministério da Economia, o chefe de gabinete da Casa Rosada (Presidência da República), Alberto Fernández, disse que o importante é que o diálogo tinha sido reaberto.

Minutos depois, os presidentes das três das quatro principais organizações rurais do país que tinham participado da reunião com Fernández ameaçaram não deixar o edifício enquanto o governo não lhes desse uma resposta a seus pedidos de revisão de aumento de impostos às exportações de grãos - principalmente soja.

"Não podemos dizer que o diálogo foi aberto porque o governo não quer ouvir o que temos a dizer, o que estamos pedindo que é a revisão destes impostos", disse Luciano Miguens, da Sociedade Rural, que participou da mesma reunião.

Manifestação
A queda-de-braço entre o setor rural e o governo se intensificou a partir do mês de março.

Neste período, os ruralistas bloquearam diversas estradas do país, durante 21 dias, gerando desabastecimento nos supermercados.

Ao mesmo tempo, eleitores das classes média e alta realizaram panelaços nas grandes cidades em apoio aos ruralistas. O então ministro da Economia, Martin Lousteau, renunciou ao cargo. Ele tinha anunciado o aumento dos impostos que provocaram o protesto.

Na semana passada, após um período de trégua, eles voltaram a protestar por seis dias, impedindo a passagem dos caminhões com grãos e as exportações destes produtos - cuja arrecadação é decisiva para o caixa do governo.

Eles suspenderam o protesto na madrugada de quarta-feira. Nesta quinta-feira, a expectativa era de início de entendimento entre as partes, mas houve novo impasse.

Agora a expectativa, segundo Miguens, é em relação à manifestação marcada para este domingo, dia 25 de maio, em Rosário, na Província de Santa Fé, que contará com a presença de políticos da oposição.

"Isso não será protesto dos ruralistas, mas comício da oposição", criticou Fernández, em entrevista ao programa Código Político, do canal de TV a cabo TN (Todo Noticias).

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