Fracassa greve geral convocada pela oposição no Zimbábue

HARARE - A greve geral convocada pela oposição do Zimbábue como forma de pressão em favor da divulgação dos resultados das últimas eleições presidenciais teve hoje pouca adesão dos cidadãos do país, que em sua maioria continuaram com suas atividades diárias normais.

EFE |

A greve geral foi convocada pelo Movimento para a Mudança Democrática (MDC, em inglês) depois de a Justiça do Zimbábue ter rejeitado o pedido do partido para que a Comissão Eleitoral do Zimbábue divulgue os dados do pleito presidencial realizado em 29 de março.

A única diferença hoje foi o aumento da presença policial nas ruas de Harare, o que gerou uma atmosfera de tensão entre a população - muitas pessoas não sabiam da convocação da oposição.

"De que greve você está falando? Eu continuo trabalhando como todo dia", disse à agência Efe Thomas Chauke, um verdureiro que oferecia seus produtos no centro da capital.

O trabalhador autônomo Tendai Zvomuya disse que não podia se dar ao luxo de ficar em casa. "Tenho que levar comida para casa todos os dias e pagar o colégio dos meus filhos. Se fico em casa, perco meu trabalho", explicou.

O desemprego no Zimbábue chega perto dos 80% e a inflação supera os 100.000%. Estes são dois sinais da crise econômica mais grave da história do país.

Alguns cidadãos acusaram a oposição de fracassar em sua tentativa de coordenar o protesto.

"O MDC deveria ter falado com os sindicatos para que também convocassem a greve", disse à agência Efe um banqueiro que preferiu se manter anônimo. "Muita gente neste país quer uma mudança o mais rápido possível, mas tem medo de perder seu emprego", acrescentou.

O porta-voz do MDC, Nqobizitha Mlilo, disse em comunicado que "todos os zimbabuanos devem ficar em casa até a Comissão Eleitoral anunciar os resultados das eleições presidenciais".

O partido opositor acusa o regime do presidente do Zimbábue, Robert Mugabe, no poder desde 1980, de frustrar os zimbabuanos por se negar a anunciar os resultados das eleições. Os membros da Comissão Eleitoral são nomeados por Mugabe.

Segundo o MDC, seu candidato à presidência, Morgan Tsvangirai, obteve 50,3% dos votos, enquanto Mugabe teve 43,8%. O governo quer a realização de um segundo turno, já que nenhum candidato teria recebido mais de 50% dos votos.

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