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Fotógrafo diz que é um sonho ganhar o Prêmio Rei da Espanha

Rio de Janeiro, 29 jan (EFE).- O fotógrafo da equipe do jornal O Dia, do Rio de Janeiro, definiu como um sonho ter conquistado hoje o Prêmio Rei da Espanha na categoria de Imprensa, pela reportagem Milícias - Política do terror, sobre grupos armadas que dominam favelas da cidade.

EFE |

"Ganhar o Rei da Espanha é um sonho. Mas outra conquista muito importante, para mim, é ver que as condições na comunidade estão melhorando e que há perspectiva de uma nova vida para aqueles habitantes", disse à agência Efe o fotógrafo, cujo nome se mantém em segredo por questão de segurança.

O fotógrafo, uma repórter e um motorista de "O Dia" foram sequestrados, torturados e ameaçados em maio do ano passado, quando investigavam a ação das milícias na favela do Batam, em Realengo (zona oeste), uma das muitas onde quadrilhas formadas principalmente por policiais -na ativa ou aposentados- disputam o controle do território com narcotraficantes.

Apesar das torturas e ameaças que sofreram, a equipe de "O Dia" publicou, em 1º de junho a reportagem sobre as milícias que hoje recebeu o Prêmio Rei da Espanha.

As milícias, além de imporem seu poder nas favelas pela força das armas, haviam criado em algumas delas um "curral eleitoral" para se certificarem de que seus moradores votariam nos candidatos apoiados por eles nas eleições municipais de outubro.

A pressão causada por este caso contribuiu para a prisão de alguns políticos apontados como integrantes de milícias e o Governo enviou tropas às favelas mais perigosas para assegurar o livre exercício do voto durante a eleição.

O Prêmio "é uma enorme recompensa não só à investigação jornalística e ao trabalho de reportagem, o que me emociona muito. É gratificante constatar as consequências positivas que trouxeram para as pessoas do Batam tudo aquilo que enfrentamos", ressaltou, em referência à ação das autoridades para combater as milícias.

Ele acrescentou que espera ver as melhoras nas condições de vida da população anunciadas pelas autoridades para os habitantes do Batam se tornarem realidade e que não se repita o que ocorreu na favela Vila Cruzeiro, onde o Estado continuou ausente apesar das promessas feitas após o assassinato do repórter Tim Lopes.

Lopes, que trabalhava com a Rede Globo, foi assassinado por traficantes em junho de 2002, quando investigava as atividades desses grupos na Vila Cruzeiro, incluindo a prostituição de menores que eles proviam em bailes funk.

"Não pode ser como ocorreu na Vila Cruzeiro, onde, apesar de tudo que foi prometido, a vida piorou e a violência aumentou depois da morte do meu amigo Tim Lopes", acrescentou.

Por sua vez, o diretor de "O Dia", Alexandre Freeland, definiu o Prêmio Rei da Espanha como um "reconhecimento à coragem pessoal e à determinação profissional" de seus jornalistas.

Os Prêmios Rei da Espanha são convocados anualmente pela Agência Efe e a Agência Espanhola de Cooperação Internacional (Aeci) e serão entregues pelo Rei da Espanha, Juan Carlos I, em uma data ainda por determinar.

Cada prêmio inclui 39 mil euros (cerca de US$ 50,6 mil) e uma escultura de bronze do artista Joaquín Vaquero Turcios. EFE joc/jp

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