Fósseis no canal do Panamá dão pista sobre formação da América

Por Andrew Beatty CIDADE DO PANAMÁ (Reuters) - Fósseis com mais de 20 milhões de anos encontrados por cientistas no Panamá podem explicar como e quando as Américas se uniram.

Reuters |

Geólogos do Instituto Smithsonian, dos EUA, que tem uma base permanente no Panamá, disseram que mais de 500 fósseis foram achados por engenheiros que escavam para alargar o canal do Panamá.

Entre as peças há ossos e dentes de roedores, cavalos, crocodilos e tartarugas que viveram antes que surgisse um istmo entre as Américas do Norte e do Sul.

'Com essas descobertas poderemos obter mais informações sobre o processo pelo qual a ponte terrestre contínua se formou', disse o geólogo Camilo Montes, do Smithsonian, à Reuters.

A convite do governo local, geólogos acompanham desde fevereiro a ampliação do supersaturado canal, uma obra de 5,25 bilhões de dólares.

Os cientistas acreditam que as placas tectônicas da América do Sul e do Caribe se chocaram há cerca de 15 milhões de anos, provocando uma atividade vulcânica que acabou formando o istmo centro-americano e separando os oceanos Atlântico e Pacífico.

Há cerca de 3 milhões de anos essa ponte provavelmente já estava completamente formada, permitindo que mamíferos passassem de um lado para outro.

Comparando as descobertas do Panamá com registros fósseis de cada continente, os paleontólogos esperam determinar de onde cada espécie veio. Vestígios vulcânicos incrustados na mesma camada de rocha dos fósseis ajudarão a indicar a época em que determinado animal era achado em cada lado da ponte.

A união das Américas propiciou uma migração em massa de animais, enquanto a separação dos oceanos transformou o clima global e provocou o surgimento de novas espécies.

Montes disse que descobrir exatamente quando isso aconteceu pode ser essencial para entender a ligação entre as grandes mudanças nas correntes oceânicas e o nosso clima, esclarecendo algumas questões ligadas ao aquecimento global.

'O fechamento (do istmo) pode estar ligado a uma era glacial que afetou a América do Norte mais ou menos ao mesmo tempo, talvez alterando as correntes oceânicas', disse Montes.

'Alguns já argumentaram que o momento da era glacial foi uma coincidência. Uma linha do tempo mais precisa para o fechamento pode nos dizer se essas duas coisas estavam separadas ou vinculadas.'

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