Fórum Urbano da ONU pede combate à pobreza nas grandes cidades

Manuel Pérez Bela Rio de Janeiro, 22 mar (EFE).- O 5º Fórum Urbano Mundial da ONU começou hoje no Rio de Janeiro com um pedido da comunidade internacional para o combate à pobreza nas grandes cidades e pela melhoria das condições de vida nos bairros pobres.

EFE |

Na abertura da conferência, considerada o encontro mais importante sobre a gestão das cidades, a diretora da ONU-Habitat, Anna Tibaijuka, alertou que quase 1 bilhão de pessoas se aglomeram em bairros periféricos das cidades de todo o mundo e "200 milhões de crianças vivem nas ruas".

A diretora da ONU-Habitat convocou os líderes mundiais a "ter coragem" para combater a pobreza e a atender outros problemas das cidades, como seu crescimento descontrolado e a poluição extrema, que "afetam sempre os mais vulneráveis".

Tibaijuka afirmou que 61% da população urbana da África e 24% da latino-americana vivem em casas precárias em bairros pobres ou favelas.

O secretário-geral da ONU, Ban Ki-moon, ausente do auditório, enviou uma mensagem ao Fórum no qual afirmou que as condições de vida nos bairros pobres são "uma violação dos direitos humanos".

Após o discurso lido por uma representante, Ban pediu aos delegados do Fórum que tomem medidas, já que a comunidade internacional "tem a responsabilidade" de assegurar o direito de todos os habitantes dos bairros periféricos ao saneamento básico, à segurança e a trabalhar por um futuro melhor.

O presidente Luiz Inácio Lula da Silva, por sua vez, pediu aos governantes a empreenderem uma "reparação dos danos" cometidos pelos líderes do século XX, "que permitiram que muitas cidades do mundo e do Brasil se transformassem em grandes favelas".

Lula assinalou que, no passado, nos países em desenvolvimento como o Brasil, não se investia em saneamento básico "porque isso não servia para propaganda eleitoral".

"Os líderes não entenderam que a imagem mais digna que um governante pode dar é uma criança brincando na rua sem pisar em esgotos ao ar livre", acrescentou o presidente, que mencionou as iniciativas de seu Governo para melhorar a qualidade da vida nos subúrbios.

O vice-presidente terceiro da Espanha, Manuel Chaves, manifestou o firme compromisso de seu país com a luta para a erradicação da pobreza no mundo, o que constitui "a causa subjacente" das deficiências dos assentamentos urbanos.

Chaves alertou que se está "longe de atingir as metas da ONU" devido a impedimentos como as grandes deficiências das políticas urbanas, as limitações financeiras, as desigualdades de gênero e a deficiente aplicação dos direitos humanos nas cidades, especialmente, a do direito à moradia.

Para o representante da Espanha, a urbanização deve ser acompanhada pela luta contra as desigualdades, para evitar que se transforme em "um escuro objeto de desejo para os especuladores".

O vice-presidente espanhol reiterou que as soluções a este tipo de problemas passam pelas organizações multilaterais, uma visão que também compartilhou o secretário de Habitação e Desenvolvimento Urbano dos Estados Unidos, Shaun Donovan.

"Faremos o possível (pelo combate à pobreza), mas não faremos sozinhos e apoiaremos todas as iniciativas da comunidade internacional", afirmou Donovan.

A conferência bienal da ONU, que teve sua primeira edição em Nairóbi em 2005, tem como lema "O Direito à Cidade: Unindo o Urbano Dividido".

O Fórum se estenderá até sexta-feira com debates, mesas-redondas e seminários nos quais autoridades e especialistas em urbanismo de todo o mundo discutirão os problemas mais urgentes que compartilham as cidades de qualquer canto do planeta.

Espera-se a participação de aproximadamente 15 mil pessoas em mais de uma centena de atividades, incluindo uma exposição na qual serão apresentadas inovações na gestão urbana e no desenvolvimento sustentável. EFE mp/sa

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