Fórum Social volta a levantar bandeiras da rebeldia no Brasil

Eduardo Davis. Brasília, 26 jan (EFE).- O Fórum Social Mundial, fundado em 2001 pelo movimento contra a globalização, retorna ao Brasil após quatro anos, para voltar a levantar as bandeiras da rebeldia e do pacifismo e insistir em seu lema de que outro mundo é possível.

EFE |

Este movimento dos inconformados, que mobiliza milhões de jovens de todo o mundo, voltará a se encontrar entre os dias 27 de janeiro e 1° de fevereiro na cidade de Belém, no Pará, na primeira reunião global do movimento desde 2007 em Nairóbi.

As três primeiras edições do Fórum Social aconteceram em Porto Alegre (2001, 2002 e 2003), e em 2004 foi para a cidade indiana de Mumbai, antes de retornar ao sul do Brasil em 2005.

Um ano depois, foi dividido em três, com sedes em Caracas, Mali e Paquistão, e em 2007 voltou a ser unificado na capital do Quênia. No ano passado, o encontro mundial foi substituído pelo chamado "Dia de Ação Global", realizado em 26 de janeiro e que gerou protestos e conferências em quase cem países.

O movimento que desembocou na criação do Fórum Social começou a surgir em 1999, depois das fortes manifestações ocorridas em Seattle (EUA) contra a Organização Mundial do Comércio (OMC).

Os protestos foram articulados através da internet, e se expandiram para as reuniões do Fundo Monetário Internacional (FMI), do Banco Mundial (BM) e do Grupo dos Oito (G8, que reúne os sete países mais industrializados do mundo e a Rússia).

Intelectuais que apoiaram essas manifestações, como o francês Bernard Cassen, e líderes políticos, como o presidente Luiz Inácio Lula da Silva, convocaram em 2001 o primeiro Fórum Social Mundial em Porto Alegre.

Essa primeira edição contou com cerca de 20 mil participantes, número que na segunda pulou para 50 mil e desde a terceira não foi inferior a 100 mil, na enorme maioria membros das ONGs de mais de cem países que integram o fórum.

Um recente estudo do Instituto Brasileiro de Análises Sociais e Econômicas (Ibase), elaborado com dados obtidos nos primeiros oito fóruns, diz que 60% dos participantes têm menos de 35 anos e que cerca de 70% terminaram ou cursam o ensino superior.

Segundo Cândido Grzybowski, diretor do Ibase, esses dados revelam que o fórum é constituído "pela elite da militância", e que é preciso buscar fórmulas que permitam se aproximar mais das massas empobrecidas que diz representar.

Esse debate, herdado da esquerda dos anos 60, está no interior do Fórum Social desde seu próprio nascimento, e caminha mesmo com a limitação do movimento, que não consegue passar do protesto às propostas concretas.

Por sua própria diversidade e dimensões, o Fórum Social não emite comunicados e se limita a recolher as milhares de propostas que surgem em cada edição.

Os únicos consensos estão em seu estatuto, redigido em 2001, que defendem a construção de um mundo de paz, o respeito à diversidade de pensamento e ao meio ambiente, e a rejeição ao capitalismo, ao imperialismo e a toda forma de dominação colonial.

Durante os últimos oito anos, surgiram no fórum duas linhas claramente identificadas.

Uma diz que o movimento deve se transformar em uma espécie de "partido global" e apoiar ativamente as esquerdas locais em projetos dirigidos à tomada do poder, enquanto outra pretende manter o fórum como um laboratório de ideias e referência para o pensamento mundial.

Grzybowski, um dos promotores do fórum, defende essa última linha e sustenta que a novidade que esta plataforma forneceu à esquerda mundial é o debate de assuntos antes ignorados, entre eles "a situação das mulheres, dos índios e dos negros, além do meio ambiente e da defesa dos homossexuais". EFE ed/mh

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