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Fórum Social pode se tornar cúpula da nova esquerda da A. Latina

Brasília, 26 jan (EFE).- O presidente Luiz Inácio Lula da Silva e os líderes de Bolívia, Evo Morales; Venezuela, Hugo Chávez; Equador, Rafael Correa; e Paraguai, Fernando Lugo, são esperados no 9º Fórum Social Mundial, o que pode tornar o evento uma inédita cúpula de governantes da nova esquerda latino-americana com líderes sociais.

EFE |

Os estatutos do Fórum Social Mundial impedem a participação de representantes de Governos nesta plataforma reservada à sociedade civil, a menos que haja um convite expresso, como aconteceu desta vez com Lula, Morales, Chávez, Correa e Lugo.

Os organizadores do Fórum Social também tinham convidado para o encontro a chilena Michelle Bachelet, que não estará presente ao evento, que será realizado na próxima semana em Belém (PA).

O sociólogo Cândido Grybowski, um dos membros do Comitê Internacional de Apoio ao Fórum, explicou à Agência Efe que a decisão de convidar estes presidentes surgiu da "nova realidade" que existe na América do Sul, com o surgimento, nos últimos anos, de "Governos progressistas".

No caso de Lula, a exceção reside também no fato de se tratar de um dos fundadores do Fórum Social Mundial, criado em 2001, quando o atual presidente participava ativamente de diversos movimentos sociais a partir de sua posição de líder sindical.

Lula participou como ativista social nos fóruns de 2001 e 2002 e, em janeiro de 2003, compareceu ao terceiro, em Porto Alegre, poucos dias após ter assumido a Presidência.

O presidente não participou do encontro realizado em Mumbai, Índia, em 2004, e, em 2005, quando o Fórum Social Mundial voltou a Porto Alegre, esteve no evento pela última vez, convidado por movimentos sociais brasileiros que criticaram as "posturas conservadoras" de seu Governo.

Chávez, que já tinha sido convidado ao fórum realizado em Porto Alegre em 2005, participou inclusive ativamente do que ocorreu em Caracas em 2006, quando o movimento contra a globalização fez um tipo de imersão na chamada "revolução bolivariana".

Nessa ocasião, em um pronunciamento que gerou polêmicas em um movimento caracterizado pela diversidade, Chávez pediu ao Fórum Social Mundial para adotar o lema "socialismo ou morte".

Na época, o presidente venezuelano disse que o movimento contra a globalização se transformará em um "esbanjamento" se não superar o que muitos qualificam de etapa "hippie-social" do processo e passar a assumir posições políticas mais concretas e globais.

Morales não esteve presente em nenhuma das edições do fórum, mas o partido Movimento ao Socialismo e líderes dos movimentos indígenas bolivianos participaram de cada um dos encontros.

Grybowski, que dirige o Instituto Brasileiro de Análises Sociais e Econômicas (Ibase), disse que essa organização pretende aproveitar a presença dos presidentes para realizar, no marco do fórum, um debate sobre as diferentes facetas da realidade mundial.

"Seria uma troca de ideias sobre a crise financeira, sobre alternativas de desenvolvimento, sobre a região sul-americana e sobre o conceito de integração e a nova arquitetura do poder regional", destacou.

"A ideia é que nós coloquemos as questões e eles respondam", porque "no Fórum Social os cidadãos governam, e não os presidentes", afirmou Grybowski, que lamentou especialmente a ausência de Bachelet, que significará menos uma voz feminina nesse debate com líderes.

Segundo o movimento Via Campesina, que reúne agricultores de mais de 100 países, Chávez e Morales também assistirão a diversas conferências preparadas pela organização, representada no Brasil pelo Movimento dos Trabalhadores Rurais Sem-Terra, que, em 2009, comemora 25 anos. EFE ed/db

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