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Fórum Social Mundial alerta para investidas capitalistas após crise

Eduardo Davis. Porto Alegre, 28 jan (EFE).- Ativistas do Fórum Social Mundial afirmaram hoje que o movimento contra a globalização deve construir uma hegemonia contracorrente e se preparar para novas investidas capitalistas após a crise financeira internacional.

EFE |

"O neoliberalismo não está derrotado e o capitalismo ficou mais forte (com a crise), apesar de alguns acharem o contrário", disse em um dos debates realizados em Porto Alegre o sociólogo português Boaventura de Sousa Santos, um dos ideólogos do movimento.

Para Sousa Santos, "se equivocam os que colocaram as palavras 'revolução' e 'socialismo' na lixeira da história". O sociólogo pediu os ativistas para trabalharem pela união dos sindicatos, dos grupos sociais e dos partidos socialistas.

Segundo ele, "o Fórum Social Mundial deve assumir um papel protagonista" para atuar de forma global e discutir a constituição de uma "internacional dos movimentos sociais", com o objetivo de confrontar futuras "investidas capitalistas".

O sociólogo afirmou que, apesar de os Governos populares que existem hoje na América Latina, "ninguém pode se enganar com triunfalismos", pois a "reação" do capitalismo começou e se expressa por meio das "ameaças" dos Estados Unidos à Venezuela, Bolívia e outros países.

Diante de quase duas mil pessoas que se espremeram em um auditório de Porto Alegre, Sousa Santos sustentou que a nova articulação "imperialista" se infiltrou "até no comitê do Prêmio Nobel da Paz, que se transformou no Prêmio da Guerra" depois que foi concedido ao presidente dos Estados Unidos, Barack Obama, no ano passado.

O sociólogo português também alertou para "a intenção do capitalismo mundial de se apropriar de algumas bandeiras" do Fórum Social Mundial e deu como exemplo que "até o Banco Mundial fala agora de economia social e democracia participativa".

Segundo Sousa Santos, é preciso "democratizar a democracia" e, para isso, "a relação entre os partidos políticos progressistas e os movimentos sociais será crucial".

Além disso, propôs que o Fórum Social Mundial comece a participar de conferências mundiais, como a da Conferência da ONU sobre a Mudança Climática, realizada em Copenhague em dezembro passado, ao qual as organizações que o integram foram "cada uma por seu lado".

Sousa Santos admitiu que há diferenças no movimento contra a globalização, mas disse que o Fórum Social Mundial "deve ser realmente útil" e que "não pode ser formado por inconformistas dispersos, mas por rebeldes competentes".

Seguindo a mesma linha, a peruana Virgínia Vargas, da organização Articulación Feminista Marcosur opinou que a crise do capitalismo "não é terminal" e dará passagem para uma "reacomodação" da direita.

De acordo com Vargas, a democracia que impera hoje na América Latina "não é o caminho para o socialismo, mas o socialismo deve ser o futuro da democracia, se é que esta é real".

Quem também defendeu uma maior articulação global dos movimentos sociais foi o embaixador da Bolívia na ONU, Pablo Solón, o qual sustentou que a pressão para "democratizar o mundo" deve chegar ao organismo.

"É necessário democratizar a ONU, que no século XXI permanece colonizada pelos Estados Unidos, França, Reino Unido, China e Rússia", disse Solón, citando os cinco membros permanentes do Conselho de Segurança, que têm poder de veto.

Para o diplomata, "sem transformar o mundo, será impossível transformar os Estados nacionais" e alterar o atual modelo de poder, que "oprime" as nações menos desenvolvidas e fecha seu caminho rumo ao progresso.

No quarto dia de debates em Porto Alegre, as organizações do Fórum Social Mundial também anunciaram o início de uma campanha global "contra as bases estrangeiras na América Latina e no Caribe", que segundo os ativistas constituem uma "instigação à guerra em uma região de paz".

O evento do Fórum Social Mundial em Porto Alegre, que serviu para comemorar o décimo aniversário de sua criação, termina nesta sexta-feira e dará lugar a atividades similares que se realizarão ao longo de todo o ano em mais de 30 países. EFE ed/bba

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