Fórum Social convoca protestos e exige nova ordem financeira

Eduardo Davis. Belém, 1º fev (EFE).- O Fórum Social Mundial terminou hoje com convocações para protestos globais contra a guerra e em defesa do meio ambiente, e propondo a aniquilação do sistema financeiro como solução para a atual crise financeira, atribuída ao modelo capitalista.

EFE |

A cúpula do movimento contra a globalização propôs uma série de medidas "urgentes" para conter a crise que surgiu no modelo de produção capitalista e assegurou que "são os ricos os que têm que pagar o pato, e não os pobres".

No encerramento, atrasado em função do temporal que caiu sobre a cidade e alagou o campo de futebol em que aconteceu a cerimônia, organizações do fórum exigiram a "reforma imediata" das Nações Unidas e o fim do Fundo Monetário Internacional (FMI) e do Banco Mundial (BM).

Além disso, cobraram um compromisso global contra os paraísos fiscais e a criação de um mecanismo mundial para o controle dos mercados financeiros e de um novo sistema monetário internacional, que exclua o dólar como moeda de referência.

A cúpula do Fórum Social Mundial também pediu que as matérias-primas sejam excluídas das bolsas de valores, para que não sejam mais alvo de especulação, assim como a criação de fundos regionais de reservas.

No campo ambiental, exigiu a criação de taxas internacionais para financiar a preservação dos "bens públicos mundiais", entre os quais foi citada expressamente a Amazônia, outro assunto de destaque no encontro deste ano.

Na área política, o Governo de Israel foi condenado pelo "genocídio" que promove em Gaza, e foi anunciada a determinação dos participantes do fórum em levar os "criminosos de guerra" israelenses à Justiça internacional.

Assim como pediram o fim da Organização do Tratado do Atlântico Norte (Otan), os organização do fórum exigiram o desmantelamento dos arsenais nucleares e das bases militares em solo estrangeiro, entre elas a que os EUA mantêm em Manta (Equador), e a devolução da península de Guantánamo a Cuba.

Durante o encerramento, foi anunciado um "calendário" de protestos globais contra a guerra e o capitalismo, que terão seu ponto alto entre os dias 28 de março e 4 de abril, semana que incluirá um Dia de Solidariedade à causa Palestina (30 de março).

Além disso, estão previstas manifestações no encontro do G20 que será realizado em Londres em 2 de abril; na Cúpula das Américas, que acontecerá entre 17 e 19 abril, em Trinidad Tobago; na reunião anual do G8, que será realizada na Itália, em junho, e na reunião da ONU sobre o clima, prevista para dezembro, na Dinamarca.

Em 12 de outubro, segundo a Assembleia dos Movimentos Sociais, uma grande mobilização será convocada em defesa da "Mãe Terra" e dos direitos dos indígenas.

Segundo os organizadores, a 9ª edição do Fórum Social Mundial atraiu 133 mil ativistas e 5,8 mil movimentos sociais de 142 países de todos os continentes.

A enorme maioria desses movimentos (4.193) veio de nações sul-americanas, enquanto 491 grupos chegaram da Europa, e outros 489, da África.

Este encontro dos inconformados com o sistema, que como os anteriores esteve marcado pela caótica organização, contou este ano também com a participação do presidente Luiz Inácio Lula da Silva e de seus colegas da Bolívia, Evo Morales; do Equador, Rafael Correa; do Paraguai, Fernando Lugo, e da Venezuela, Hugo Chávez.

Nos próximos dias, o Comitê Internacional do Fórum Social se reunirá também em Belém para definir a sede do próximo encontro global.

Fontes desse comitê disseram à Efe que já há um consenso de que, em 2010, assim como em 2008, haverá um Dia de Ação Global, com mobilizações em centenas de países, mas não um encontro único.

A próxima reunião mundial do movimento seria então em 2011. Até agora, são apontadas como possíveis sedes os Estados Unidos, algum país do Oriente Médio ou uma nação africana.

No entanto, os EUA estão "praticamente descartados", pois, segundo disse à Efe um membro do comitê do fórum, muitos ativistas deverão ter dificuldade para obter visto de entrada, já que Washington os incluiu entre os "inimigos do sistema". EFE ed/sc

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