Fórum Social alerta para elo entre crises financeira e ambiental

Porto Alegre, 26 jan (EFE).- Ativistas que participam do Fórum Social Mundial alertaram hoje em Porto Alegre que não basta enfrentar a crise financeira global sem lidar com a degradação do meio ambiente, a grave escassez de comida e as desigualdades sociais.

EFE |

O britânico David Harvey, um dos pensadores mais respeitados do movimento contra a globalização, afirmou que, em meio à crise financeira global, foi gerado um novo e forte processo de acumulação de capital que fortalecerá o atual modelo e levará a "uma nova explosão" que "pode ser ainda pior".

Harvey, acadêmico da City University of New York (Cuny), disse em seminário hoje, em Porto Alegre, que as "ficções" financeiras que causaram a crise em 2008 se reproduzem atualmente na China e em outros países emergentes, que podem ser o epicentro de futuras turbulências.

Segundo Harvey, uma das concepções equivocadas do capitalismo é a "obsessão" pelo crescimento econômico, que ignora as ameaças ambientais e sociais.

Para ele, o capitalismo segue baseado "na destruição e não na construção", e se ampara na "lógica da negação", o que o impede de se antecipar às crises que o próprio modelo gera de forma cíclica e que são cada vez mais graves.

Nessa mesma linha, a americana Susan George apontou que a "depressão" econômica atual está diretamente ligada às "crises múltiplas" que se agravam especialmente nos campos ecológico e social, e a assuntos básicos, como a alimentação dos seres humanos.

Ela lembrou que, segundo organismos internacionais, cerca de US$ 1 bilhão de pessoas passam fome hoje e que dentro de alguns poucos anos sofrerão mais com a progressiva escassez de água potável que os cientistas podem prever.

"Veremos coisas ainda mais graves, que antes nem se imaginavam, como o surgimento dos refugiados ecológicos", alertou George, que foi consultor de vários organismos da ONU.

"As crises estão se fundindo em uma só" e na medida em que os Governos não entenderem isso dessa maneira, as sociedades "sofrerão muito mais que agora", previu.

George indicou que, apesar das medidas adotadas para conter a crise financeira, o mundo ainda não entrou em acordo para frear a crise meio ambiental. Para ela, essa "é a mais grave de todas", porque de sua solução depende até a "salvação do planeta".

"A sociedade está submissa aos limites que a natureza impõe" e a busca "imediata e cega" por um maior crescimento econômico impactará de tal modo no ecossistema que "chegará um momento em que será impossível a vida na Terra", argumentou.

Além disso, afirmou que o descontentamento social gerado pela falta de alimentos e de água exporá a humanidade a "novos horrores", "novos tipos de fascismo", "novos massacres" e êxodos maciços.

Harvey e George discursaram em um debate sobre a conjuntura econômica atual realizado dentro do Fórum Social Mundial, que esta semana celebra em Porto Alegre seu décimo aniversário.

O evento de Porto Alegre é o primeiro de uma série de encontros que o fórum promoverá ao longo do ano em dezenas de países. EFE ed/rr

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