Paris, 18 abr (EFE).- Os representantes das principais economias desenvolvidas e emergentes do mundo concluíram hoje em Paris uma reunião sobre mudança climática com o sentimento generalizado de que houve avanços no longo caminho para um futuro compromisso com a redução de emissões poluentes e que para tanto é preciso definir metas concretas.

Os países participantes, responsáveis por 80% dos gases do efeito estufa do planeta, concordaram que o encontro serviu para tomar consciência da necessidade de definir objetivos concretos a longo e a médio prazo, indicou o secretário de Estado francês de Assuntos Europeus, Jean-Pierre Jouyet.

Foi decidido, além disso, a realização de outras duas reuniões para a redação de uma declaração dos líderes desses 16 países na cúpula do G8 (os sete países mais industrializados e a Rússia) que será realizada em julho, em Hokkaido, ao norte do Japão.

Foram convidados para a reunião os líderes do Brasil, México, China, Índia, África do Sul, Austrália, Indonésia e Coréia do Sul, países que junto ao G8 participaram da reunião de Paris, que também contou com a presença de representantes da União Européia (UE), da ONU e da Agência Internacional de Energia (AIE).

Na sessão, de dois dias, trataram, entre outros pontos, da assistência financeira e da transferência de tecnologia aos países em desenvolvimento, amparada com entusiasmo pelo México, que apresentou sua proposta, já anunciada em outros foros, para a criação de um Fundo Multinacional de Mudança Climática.

Os participantes também exploraram o enfoque setorial da luta contra o aquecimento global.

O secretário-executivo do Convênio da ONU sobre a Mudança Climática, Yvo de Boer, afirmou à imprensa que abordar o problema a partir um enfoque setorial "é uma forma muito interessante de dirigir-se a setores econômicos chave" e acrescentou que "pode ser uma parte muito importante dos acordos de Copenhague".

A afirmação foi feita em alusão ao objetivo de chegar a um acordo de redução de emissões na reunião de dezembro de 2009 na capital dinamarquesa para o período posterior ao Protocolo de Kioto, desde 2012.

"O enfoque setorial deve ser uma ferramenta e não um substituto das metas nacionais", indicou o secretário de Estado de Meio ambiente da Eslovênia, Andrej Kranjc, cujo país ocupa a presidência da UE este semestre.

A reunião de Paris esteve marcada por reservas generalizadas em relação ao plano anunciado há dois dias pelo presidente dos Estados Unidos, George W. Bush, para reduzir as emissões nesse país, a partir de 2025. EFE jaf/fb

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