Fórum pede que combate à tuberculose não perca recursos em tempos de crise

Rio de Janeiro, 25 mar (EFE).- Os participantes do 3º Fórum Mundial de Parceiros Stop TB, que chegou ao fim hoje no Rio de Janeiro, pediram aos Governos para que aumentem os recursos destinados ao combate da tuberculose e que não permitam que a crise global leve à utilização desses fundos para outros fins.

EFE |

Stop TB é um movimento global criado em 1998 para combater a tuberculose e que reúne diferentes organismos multilaterais, ONGs, ativistas, empresas, pesquisadores, agências de cooperação e pacientes da doença.

Durante o fórum, organizado por ocasião do Dia Mundial da Tuberculose (24 de março), centenas de especialistas debateram os avanços em remédios e vacinas que prometem revolucionar o tratamento da doença.

De acordo com o documento final do evento, intitulado Declaração Comunitária do Rio de Janeiro, "os recursos financeiros e os compromissos continuam sendo insuficientes. (...) É necessário que os doadores internacionais e os Governos nacionais invistam em novos diagnósticos, vacinas e tratamentos".

A declaração será apresentada pela sociedade civil durante a Reunião Ministerial sobre Tuberculose, em Pequim, entre os dias 1º e 3 de abril.

Os membros da Stop TB asseguraram no documento que um possível uso dos recursos destinados a combater a tuberculose para resolver problemas financeiros derivados da crise global pode comprometer o cumprimento das metas mundiais de erradicação da doença.

A cada ano, 9,27 milhões de pessoas pegam tuberculose, doença que deixa 1,75 milhão de mortos em todo o mundo no mesmo espaço de tempo.

Segundo o documento, "de acordo com os níveis atuais de financiamento, as metas estabelecidas pelo Plano Global de Combate à Tuberculose (2006-2015) não serão cumpridas", sendo que a principal delas é a de reduzir o número de mortes por tuberculose em 50%.

A iniciativa Stop TB, que conta com o apoio da Organização Mundial da Saúde (OMS), também propõe reduzir a incidência da doença no mundo todo para menos de um milhão de pessoas em 2050.

Para isso, a organização diz ser necessário o investimento de US$ 44 bilhões entre 2009 e 2015 em projetos de controle da doença e de outros US$ 2 bilhões em pesquisa, recursos que estão muito distantes dos aplicados atualmente pelos Governos.

Segundo o documento final, estão previstos para este ano investimentos de US$ 3 bilhões em projetos de controle da doença, abaixo dos US$ 5 bilhões que seriam necessários para 2009.

Dos atuais fundos, 87% têm origem dos Governos de 94 países, em sua maioria europeus, 9% vêm do Banco Mundial (BM) e o restante, de doadores privados.

Já no primeiro dia do Fórum, que reuniu cerca de mil pessoas desde segunda-feira no Rio de Janeiro, os representantes da ONU alertaram para a piora dos índices de tuberculose por causa da redução dos orçamentos.

"O mundo pagará uma conta muito maior se descuidar da luta contra a tuberculose por causa da crise", disse a diretora-geral da OMS, Margaret Chan, em mensagem transmitida em vídeo.

"Com a recessão, é difícil manter a saúde no topo da agenda. Há países que cortaram seu orçamento nesta área, mas investir em curar esta doença dá retorno financeiro e seu controle é mais rentável do que pagar por suas consequências", assegurou o enviado especial da ONU para a tuberculose, o ex-presidente português Jorge Sampaio.

Sampaio citou um relatório do BM o qual calcula que os investimentos no combate à tuberculose podem gerar um retorno financeiro "de nove a 15 vezes superior" aos recursos originais.

O documento final do Fórum também pediu uma maior colaboração mundial nas investigações para o desenvolvimento de novos medicamentos menos tóxicos e mais potentes que possam reduzir a duração do tratamento (atualmente de seis meses) e de uma nova vacina mais eficiente que previna todas as formas da doença. EFE cm/bba

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