Fórum de direitos humanos da ONU discutirá crise dos alimentos

Por Stephanie Nebehay GENEBRA, Suíça (Reuters) - O Conselho de Direitos Humanos da Organização das Nações Unidas (ONU) realizará uma sessão especial no dia 23 de maio para avaliar como a crise mundial dos alimentos está prejudicando o acesso à comida para milhões de pessoas, disseram autoridades nesta sexta-feira.

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O direito a uma alimentação adequada e a não sofrer com a fome consta das leis internacionais e faz parte dos direitos humanos básicos e universais. O pedido referente à realização do encontro partiu de Cuba, do Egito e do Paquistão, tendo sido aprovado por 41 dos 47 países-membros do conselho.

Em um comunicado, os requisitantes afirmaram que, enquanto as famílias de classe média do mundo ocidental gastam 20 por cento de seus orçamentos para comer, as famílias dos países em desenvolvimento podem gastar entre 60 e 80 por cento de sua renda com os alimentos.

'A elevação do preço dos produtos alimentícios, somando-se aos custos de transporte decorrente do preço do petróleo, torna difícil para as agências internacionais cumprirem suas obrigações, já que o custo de fornecer ajuda na forma de comida elevou-se substancialmente', afirmaram os requisitantes.

Manifestações, greves e distúrbios surgiram em cerca de 40 dos países mais pobres do mundo após a disparada dos preços do trigo, arroz, milho, óleos comestíveis e outros alimentos básicos.

Estima-se que mais de 850 milhões de pessoas no mundo todo estejam enfrentando grandes dificuldades para ter acesso a produtos alimentícios. Outros 2 bilhões sofreriam de desnutrição, problema esse que, segundo a Organização Mundial da Saúde (OMS), pode gerar males permanentes em crianças.

As populações da África subsaariana e do sul da Ásia foram as mais atingidas pela disparada do preço dos alimentos, algo que os economistas atribuem a vários fatores, entre os quais secas, o aumento dos custos do combustível e dos fertilizantes, o uso de grãos para fabricar biocombustíveis e uma onda especulativa nos mercados de commodities.

Olivier de Schutter, o novo relator da ONU para a área de alimentação, pediu na semana passada que o Conselho de Direitos Humanos realizasse uma sessão especial a fim de discutir o que descreveu como sendo uma 'violação gritante' dos direitos humanos.

De Schutter afirmou que a crise dos alimentos, equivalente, nas palavras dele, a um 'tsunami silencioso', era provocada pelos seres humanos. O enviado da ONU defendeu a suspensão de novos investimentos nos biocombustíveis e pediu que os EUA e a União Européia (UE) abandonassem suas metas a respeito da utilização desse tipo de combustível.

(Reportagem adicional de Laura MacInnis)

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