Fórum de Biarritz defende criação de novas instituições multilaterais

Biarritz (França), 4 nov (EFE).- O Fórum de Biarritz defendeu hoje a instauração de uma nova organização mundial após a crise financeira e econômica, baseada em novas instituições que sejam realmente multilaterais e democráticas.

EFE |

O ex-presidente da Colômbia, Ernesto Samper, divulgou as conclusões da nona edição do Fórum de Biarritz, que reuniu entre ontem e hoje vários ex-presidentes e autoridades da América Latina e Europa para analisar as relações entre as duas regiões.

Samper esteve acompanhado na sessão por Rodrigo Borja, ex-presidente do Equador, e por Mário Soares, ex-chefe de Estado português. O Brasil foi representado pelo assessor especial para Assuntos Internacionais da Presidência, Marco Aurélio Garcia.

O evento também contou com o representante da Presidência do Chile, Juan Carvajal Trigo, os presidentes dos Senados de Bolívia, Óscar Ortiz, e México, Gustavo Madero, e o vice-prefeito de Quito, Andrés Vallejo.

O ex-chefe de Estado colombiano declarou que a crise constituiu o assunto de destaque dos debates do fórum, cujos integrantes coincidiram em reivindicar uma nova ordem mundial baseada no "multilateralismo".

Samper ainda afirmou que "Bretton Woods está em crise" e que "esse sistema inventado (...) no qual a capacidade de votar é em função da contribuição de cada país não pode continuar".

No contexto da crise, o fórum destacou que a América Latina cumpriu os preceitos de "estabilidade macroeconômica" e "governabilidade democrática", por isso que já não é concebível que a conjuntura econômica cause regressões democráticas ou golpes de estado militares.

Também foi ressaltado outro eixo desta edição do fórum, o da integração da América Latina, que deve se basear em "alianças estratégicas" e não em "velhos acordos burocráticos como os de 20 anos atrás", por isso que defendeu a concentração dos diferentes acordos entre países em um único processo de integração.

Samper ressaltou a "divisão" que atualmente existe na América Latina, e alertou que não se deve cair no erro já cometido nas relações com os Estados Unidos de limitar os acordos com a Europa ao âmbito comercial, mas é importante tratar também de outras questões, como a migração.

A questão da migração também foi discutida em um dos plenários do fórum.

Em relação ao assunto, o representante do Fórum de Biarritz alertou para o risco de que a Europa criminalize a imigração, o que pode fazer surgir sentimentos de xenofobia e racismo.

O discurso que encerrou esta edição do Fórum de Biarritz ficou por conta do ex-presidente português Mário Soares, que mostrou suas esperanças de que a possível eleição hoje de Barack Obama como presidente dos EUA possa mudar a ordem mundial.

Na sua opinião, a partir de hoje "muitas coisas vão começar a mudar nos EUA", o que terá conseqüências na Europa e também no resto do mundo e será positivo para fazer frente à "crise geoestratégica" que é conseqüência do colapso financeiro e da recessão econômica.

Ele ressaltou que, embora Obama não seja socialista, prometeu tentar instaurar um sistema de seguridade social similar ao da Europa e vai apostar por uma nova ordem mundial baseada no diálogo, inclusive com os países "mais radicais" da América Latina, como Cuba, Bolívia e Venezuela.

Na sua opinião, Obama contribuirá para reformar as instituições financeiras que entraram em crise e levantará "ventos de mudança" que ajudarão os dirigentes europeus a atuar em uma "boa direção".

Para Soares, a eleição de Obama contribuirá também ao desenvolvimento do multilateralismo em um mundo no qual o G7 e o G8 perderão poder.

Na cerimônia, o vice-prefeito de Quito, Andrés Vallejo, anunciou que a capital do Equador receberá a 10ª edição do Fórum de Biarritz.

EFE rh/ab/plc

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