Fórum Católico-Muçulmano pede respeito às religiões

Juan Lara. Cidade do Vaticano, 6 nov (EFE).- Líderes muçulmanos e católicos reunidos no Vaticano pediram hoje um sistema financeiro ético, condenaram a violência e o terrorismo em nome da religião e se pronunciaram a favor da defesa da vida em todas as suas etapas e do respeito às figuras e símbolos sagrados.

EFE |

Desde terça-feira, 58 autoridades religiosas - 29 católicas e 29 muçulmanas - se reuniram no Vaticano no I Fórum Católico-Muçulmano, que foi encerrado hoje com a assinatura de uma declaração final de 15 pontos, que começa com a defesa do amor como base e essência de todos os mandamentos.

O fórum foi organizado pelo Conselho Pontifício para o Diálogo Inter-Religioso. A delegação católica foi liderada pelo cardeal Jean-Louis Tauran e a mulçumana pelo grande mufti da Bósnia-Herzegovina, Mustafa Ceric.

Na declaração final, divulgada na Pontifícia Universidade Gregoriana de Roma, fizeram uma chamada em defesa da vida, afirmando que é "o presente mais precioso que Deus dá a cada pessoa e, portanto, tem que ser preservada e honrada em todas as suas etapas".

As autoridades religiosas também exigiram o respeito à dignidade humana, ressaltaram a igualdade entre homens e mulheres e o direito dos indivíduos e das comunidades de praticar a religião de forma privada ou pública.

Além disso, disseram que as minorias religiosas têm que ser respeitadas e que "seus fundadores, as figuras e os símbolos que consideram sagrados não podem ser motivos de burla ou de escárnio".

Os líderes católicos e muçulmanos denunciaram que o mundo está "cada vez mais secularizado e materialista" e que os seguidores de nenhuma religião devem ser excluídos da sociedade.

"Os católicos e os muçulmanos estão convocados a ser instrumentos de amor e harmonia para toda a humanidade, renunciando a qualquer opressão, violência ou terrorismo, especialmente os realizados em nome da religião", disseram.

Sobre a crise econômica atual, fizeram uma chamada para "um sistema financeiro ético" que observe "a situação dos pobres e desfavorecidos".

"Fazemos uma chamada aos privilegiados do mundo para examinar a difícil situação dos mais gravemente afetados pela atual crise na produção e distribuição de alimentos e pedimos a todos que trabalhem juntos para aliviar o sofrimento dos famintos e eliminar suas causas", manifestaram.

Após este primeiro fórum, eles decidiram realizar um segundo dentro de dois anos em algum país de maioria muçulmana, que ainda não foi escolhido.

Além disso, resolveram estudar a criação de um comitê permanente católico-muçulmano para coordenar as respostas a situações de emergência.

Os participantes foram recebidos hoje pelo papa Bento XVI, que em discurso condenou a violência praticada em nome de Deus, que qualificou de "injustificável e deplorável", e pediu aos muçulmanos e cristãos que unam seus esforços "para acabar com as imagens distorcidas que freqüentemente têm um do outro e que dificultam as relações".

O papa defendeu um mundo no qual os enfrentamentos e as diferenças sejam resolvidos pacificamente "e o devastador poder das ideologias seja neutralizado".

O Fórum Católico-Muçulmano foi criado em março após uma carta enviada por 138 sábios muçulmanos a Bento XVI em outubro de 2007, na qual afirmaram que o futuro do mundo depende da paz entre muçulmanos e cristãos.

As relações entre o Vaticano e o Islamismo atravessaram momentos difíceis em 2006 depois que Bento XVI pronunciou na Universidade de Regensburg, na Alemanha, um discurso sobre Maomé considerado "ofensivo" pelos muçulmanos e que suscitou a ira dos seguidores do Profeta.

Na ocasião, o papa citou uma conversa entre o imperador bizantino Manuel II Paleólogo (1391) e um erudito persa, na qual o líder dizia que "Maomé não tinha trazido nada de inovador, exceto a ordem de estender a fé mediante a espada".

Após as críticas, o papa recebeu os embaixadores muçulmanos perante a Santa Sé e expressou a eles seu "estima e profundo respeito" pelo Islã.

O mufti Ceric disse hoje que para os muçulmanos o incidente de Regensburg "já foi superado". EFE jl/ab/jp

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