Fortes chuvas afetam 150 mil na América Central

Países mais atingidos são El Salvador e Guatemala; número de mortos por enchentes e deslizamentos chega a 81

iG São Paulo |

O número de mortes na América Central por causa de chuvas torrenciais causadas por uma depressão tropical que teve início há quase uma semana na costa do Pacífico subiu para 81 no domingo, disseram funcionários da Defesa Civil.

AFP
Residentes buscam vítimas depois de deslizamento de terra em Boca del Monte village, no município de Villa Canales, na Guatemala (16/10/2011)
As chuvas, que afetam 150 mil pessoas, forçaram milhares a se refugiar em abrigos temporários, enquanto o transbordamento de rios inundou aldeias inteiras e deslizamentos de morros causaram danos a estradas, deixando alguns povoados incomunicáveis.

Os países mais afetados são El Salvador, que registrou 32 mortes - a maioria por deslizamentos de terra que soterraram casas - e 20 mil desabrigados, e Guatemala, onde 28 morreram em inundações e deslizamentos de terra e os afetados somaram 100 mil no domingo. O presidente guatemalteco, Álvaro Colom, decretou estado de calamidade pública em todo o país, enquanto previsões apontam que as chuvas continuarão por pelo menos 24 horas.

Uma avalanche soterrou na madrugada uma casa na salvadorenha Ciudad Arce. Equipes de resgate tiveram de suspender os trabalhos por causa das fortes chuvas na área. "A situação se deteriorou ainda mais, continua chovendo com grande intensidade em várias partes do país", disse o presidente de El Salvador, Mauricio Funes, no domingo à noite em um discurso à nação.

Na Guatemala, relatórios oficiais davam conta de perdas progressivas nas plantações de milho e feijão, a maioria explorada por camponeses em minúsculas parcelas de terra para subsistência, em um país onde 15% da população, o equivalente a 2 milhões de pessoas, sofrem de desnutrição.

Declarações de emergência

Em Honduras, a Comissão Permanente de Contingência informou no domingo que os temporais causaram 13 mortes. O presidente Porfirio Lobo declarou situação de emergência na região sul, a área mais afetada, especialmente nos Estados de Valle e Choluteca.

Os moradores de vários setores da capital, Tegucigalpa, especialmente os situados às margens de rios, passaram uma noite de pânico por causa das chuvas ininterruptas, que transformaram as corpos hídricos que cortam o vale onde fica a cidade em torrentes furiosas.

Nessa região, equipes de resgate usaram barcos para socorrer centenas presas nos telhados de suas casas. Milhares foram retirados de suas residências, e o governo realizou reuniões para avaliar os danos à infraestrutura de estradas e à agricultura, tais como plantações de café e açúcar, vitais para a economia local.

Na Nicarágua, onde no domingo o número de mortes subiu para oito, foi decretado alerta em seis Estados do oeste e norte do país. O alerta foi estendido até a cidade de Manágua por causa do lago Xolotlán, cujo nível de água subiu em um dos pontos que fazem fronteira com a capital da Nicarágua. Também se determinou a retirada de famílias de camponeses que moram no sopé do vulcão Casita, onde em 1998 houve deslizamentos fatais na passagem do furacão Mitch pelo país.

A primeira-dama e porta-voz do governo, Rosario Murillo, informou que as fortes chuvas deixaram mais de 8 mil afetados em 12 dos 17 Departamentos Estados) do país, que se mantém em alerta amarelo.

Na Costa Rica, não houve registro de mortes, embora as fortes chuvas que afetam localidades na costa do Pacífico e na capital San José tenham levado à retirada de dezenas de famílias dos locais.

As chuvas costumam causar estragos nesses países por causa do território montanhoso e do fato de milhões de famílias pobres viverem em casas precárias, tornando-as vítimas dos deslizamentos de terra.

Considerada pela ONU uma das regiões mais afetadas pelas mudanças climáticas, a América Central tem sofrido com desastres naturais nos últimos 40 anos que deixaram mais de 50 mil mortos e dezenas de bilhões de dólares em perdas, segundo estudo de universidades europeias e latino-americanas.

Um trabalho da Comissão Econômica para a América Latina (Cepal), intitulado "A Economia das Mudanças Climáticas" aponta que as perdas econômicas causadas na América Central pelo aquecimento global rondarão 10% do PIB regional até 2050.

*Com Reuters e AFP

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