Forte terremoto que abalou Haiti teria matado milhares

Por Joseph Guyler Delva PORTO PRÍNCIPE (Reuters) - Um forte terremoto abalou o Haiti, possivelmente matando milhares de pessoas, provocando o desabamento do palácio presidencial, de favelas da cidade e deixando o país caribenho implorando por ajuda internacional.

Reuters |

Um prédio de cinco andares usado pela Organização das Nações Unidas (ONU) também desabou na terça-feira por conta do terremoto de magnitude 7, o mais forte a atingir o Haiti em mais de 200 anos, segundo o Centro Geológico dos Estados Unidos.

Imagens da Reuters Television na capital haitiana, Porto Príncipe, mostraram cenas de caos nas ruas e pessoas soluçando em meio aos escombros.

O epicentro do tremor estava a 16 km de Porto Príncipe, que tem uma população de cerca de 1 milhão de pessoas, e tremores que vieram depois, tão fortes quanto o inicial, atingiram a cidade ao longo da noite e já na quarta-feira.

As informações sobre vítimas e danos saiam lentamente do Haiti por conta de problemas de comunicação no país. Como país mais pobre das Américas, o Haiti não tem equipamentos suficientes para lidar com esse tipo de desastre.

"Faço um apelo ao mundo, especialmente aos Estados Unidos, para fazer o que eles fizeram por nós em 2008, quando quatro furacões atingiram o Haiti", disse Raymond Alcide Joseph, embaixador do Haiti em Washington, em entrevista à CNN.

"Nessa época os EUA enviaram... um navio-hospital para a costa do Haiti. Espero que isso seja feito novamente... Peço aos haitianos que vivem no exterior que juntem todos os esforços de maneira concertada para ajudar os que estão em casa."

Sara Fajardo, porta-voz dos Serviços Católico de Ajuda, disse ao Los Angeles Times que o representante da entidade no Haiti disse que o número de mortos pode chegar aos milhares.

O presidente norte-americano, Barack Obama, disse que seus "pensamentos e orações" estão com o povo do Haiti e prometeu ajuda imediata.

O Itamaraty informou que o ministro de Relações Exteriores, Celso Amorim, conversou com o presidente Luiz Inácio Lula da Silva, que expressou "preocupação" com os brasileiros no Haiti e manifestou sua solidariedade ao povo local.

O Brasil comanda cerca de 7.000 soldados da força de paz da Organização das Nações Unidas (ONU) no país, a Minustah, enviada em 2004, e tem 1.266 militares na região, dos quais 250 são da engenharia do Exército.

A chancelaria brasileira disse à Reuters que o contato telefônico com representantes na capital haitiana está "muito difícil", mas que "vai tomar providências no sentido de verificar se há brasileiros (entre os mortos e feridos)".

O Ministério da Defesa brasileiro informou em nota na noite desta terça-feira que houve "ocorrência de danos materiais em algumas instalações usadas por brasileiros", mas que só será possível fazer um balanço na quarta-feira.

(Reportagem adicional de Alister Bull, Jane Sutton, Phil Barbara e Hugo Bachega)

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