Forte terremoto atinge região central do Japão

Tremor de 6,2 graus acontece em lugar totalmente diferente de abalo que atingiu nordeste do país; prédios de Tóquio balançam

iG São Paulo |

Treze horas depois de um terremoto de 8,9 graus atingir a costa noroeste do Japão, causando um tsunami de ao menos sete metros de altura, a região central do país sentiu às 4 horas locais (16h de Brasília) um abalo de 6,6 graus.

A Agência Meteorológica do Japão disse que o novo tremor atingiu uma parte montanhosa do país a uma profundidade de 10 quilômetros e cerca de 170 quilômetros de Tóquio, fazendo os prédios balançarem. Ainda não há informações sobre danos ou vítimas. Também não está claro se esse tremor tem relação com o que atingiu o país na sexta-feira.

As províncias atingidas foram as de Nagano e Niigata, no litoral oeste do Japão. Apenas 35 minutos depois, um segundo tremor aconteceu na mesma região, com intensidade similar à do primeiro e novamente sem a emissão prévia de um alerta de tsunami.

Dezenas de abalos secundários atingiram o nordeste do Japão desde o tremor de 8,9, mas o mais recente terremoto foi em um lugar inteiramente diferente.

O forte terremoto atingiu a costa nordeste do Japão, provocando um tsunami de ao menos sete metros em cidades na região norte do país. O último balanço oficial divulgado pelo governo informou que o tremor seguido de tsunami deixou ao menos 137 mortos e centenas de desaparecidos. Mas a polícia afirmou ter encontrado entre 200 e 300 corpos na costa de Sendai.

Segundo a agência de notícias japonesa Kyodo, cerca de 88 mil poderiam ter desaparecido na tragédia. A informação, porém, ainda não foi confirmada por outras fontes.

De acordo com o Instituto de Geofísica dos Estados Unidos (USGS), trata-se do maior terremoto  registrado no Japão e o 7° maior da história mundial . O tremor ocorreu às 14h46 do horário local (2h46 de Brasília) e teve epicentro no Oceano Pacífico, a 160 quilômetros da costa. Na quarta-feira, um tremor de 7,3 foi registrado na mesma área.

Já foram registrados mais de 30 tremores secundários no país, a maioria de 6 graus de magnitude. Horas depois, ondas menores chegaram a Filipinas, Indonésia e Havaí e um alerta de tsunami está vigente para todo o Oceano Pacífico, incluindo Chile, Canadá, Rússia, Nova Zelândia e toda a costa oeste dos Estados Unidos.

nullDezenas de cidades e vilarejos foram afetados pelos tremores e, no norte do país, ondas gigantes arrastaram barcos, casas, carros e pessoas, além de provocar incêndios.

Em Tóquio, os trens e o metrô pararam de circular, milhares foram retirados dos prédios no centro da cidade e os telefones celulares pararam de funcionar. Pelo menos 4 mil edifícios estão sem energia.

Na cidade de Sendai, a água inundou o aeroporto e as pistas ficaram cheias de carros, caminhões, ônibus e lama.

O Japão ordenou a retirada de milhares de residentes perto de uma usina nuclear na região de Miyagi, depois que o tremor causou um problema no sistema de resfriamento da instalação. Autoridades disseram que não havia vazamento de radiação na usina elétrica No. 1 de Fukushima. A instalação fica na cidade de Onahama, a cerca de 270 quilômetros a nordeste de Tóquio. Por causa do problema, o primeiro-ministro japonês, Naoto Kan, emitiu um alerta de emergência nuclear .

Depoimentos

O químico japonês Osamu Tsujimoto, de 56 anos, passou por momentos de tensão durante o terremoto. Ele estava na cidade de Kobe quando o edifício da multinacional em que trabalha, a Huntsman, começou a tremer. "O prédio balançava muito, parecia um navio em alto-mar ", afirmou ao iG .

No momento do tremor, a brasileira Kelly Taia, 27 anos, estava em sua casa na cidade de Tsu. Ela mora no Japão há sete anos. "Foi horrível! Tudo começou a balançar e eu não sabia o que fazer. Estava sozinha em casa com minha filha e fomos para debaixo da mesa .", contou ao iG .

Kelly só conseguiu fazer um breve contato com o marido, que está em Ibaraki. “A bateria do notebook dele acabou e desde então não tenho mais notícias. Quero voltar para o Brasil.”

Osamu Akiya, 46 anos, trabalhava em seu escritório em Tóquio no momento do terremoto, que provocou a queda de estantes e computadores, além de rachaduras nas paredes. "Já passei por muitos terremotos, mas nunca senti nada igual a isso", afirmou, em entrevista à agência Associated Press. "Não sei se vou conseguir voltar para casa hoje."

Destruição

Hiroshi Sato, uma autoridade da prefeitura de Iwate, no norte do país, disse que ainda é difícil ter um retrato completo da destruição. "Nós não sabemos o tamanho do prejuízo. As estradas foram muito prejudicadas e até interrompidas por causa do tsunami", explicou.

Em pronunciamento oficial, Naoto Kan afirmou que os estragos são grandes, mas que as usinas nucleares situadas no norte japonês não foram danificadas.

O porta-voz do governo, Yukio Edano, pediu à população para que fique em terrenos altos e evite sair de casa.

Até agora, o mais forte terremoto do Japão tinha acontecido em 1933. Com 8,1 graus de magnitude, o tremor atingiu a região metropolitana de Tóquio e matou mais de 3 mil pessoas. Os tremores de terra são comuns no Japão, um dos países com mais atividades sísmicas do mundo, já que está localizado no chamado "anel de fogo do Pacífico".

O país é atingido por cerca de 20% de todos os terremotos de magnitude superior a 6 que acontecem em todo o planeta.

Arte/iG
Terremoto de 8,9 graus de magnitude atingiu o Japão e provocou tsunami

Com AP, EFE e BBC

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