Forte patrulha militar vigia Beirute antes de eleições presidenciais

Kathy Seleme Beirute, 24 mai (EFE).- Milhares de militares patrulham as ruas de Beirute para vigiar a escolha que será realizada amanhã, domingo, do chefe do Exército, Michel Sleiman, como presidente do Líbano; com a qual se colocará fim a um período de seis meses de vazio presidencial e uma crise que quase acabou em guerra civil.

EFE |

"As medidas de segurança foram reforçadas não só nas principais ruas de Beirute, mas também em suas entradas e saídas, assim como ao redor do Parlamento, do Palácio Presidencial e do aeroporto", disseram hoje à Agência Efe fontes policiais.

Em várias áreas da capital libanesa é possível ver soldados e policiais circulando em veículos e estabelecendo controles fixos e móveis.

O comando do Exército divulgou hoje um comunicado no qual solicitou aos libaneses que não protestem, nem antes nem depois da cerimônia, por ocasião da escolha do general Sleiman.

"Esses protestos prejudicam o presidente e todo o país perante os representantes dos países amigos e irmãos, perante o corpo diplomático e perante a imprensa estrangeira", diz o texto, acrescentando que esse tipo de manifestação constitui uma violação às leis e estão sujeitos a medidas legais.

No Parlamento, os preparativos já estão prontos para a cerimônia de escolha e posse do novo chefe de Estado, que acontecerá amanhã às 17h, horário local (11h de Brasília), diante de personalidades árabes e estrangeiras.

O corpo diplomático credenciado no Líbano também participará, e se prevê que o Parlamento esteja lotado. Por este motivo, os jornalistas ficarão num edifício vizinho, onde já foram instaladas telas gigantes de televisão.

Os preparativos também terminaram no Palácio de Baabda (sede da presidência libanesa), onde inclusive "o pavilhão presidencial foi aberto, com exceção do gabinete do presidente", disse à Efe o porta-voz presidencial, Rafik Chelala.

Chelala disse também que "o novo chefe de Estado irá, na segunda-feira às 9h, horário local (3h de Brasília), para sua nova residência, de onde começará na terça-feira as consultas parlamentares para escolher um novo primeiro-ministro".

"Passamos seis meses muito tristes, mas agora, assim como todos os libaneses, estamos contentes", acrescentou Chelala, que indicou que o novo líder trabalhará para "consolidar a reconciliação" entre seus concidadãos.

Em declarações à imprensa, Sleiman afirmou que sua principal missão será tentar alcançar uma estabilidade política e econômica para o país, disse também que trabalhará pela reconciliação entre os cidadãos de seu país.

"O Líbano é um país que merece muito. O povo libanês merece a vida, sempre demonstrou que é mais forte que as crises, apesar das lágrimas e do sangue que derramou. Esperamos estar à altura da confiança que nos foi dada", afirmou Sleiman.

A escolha do presidente como chefe do Exército, que foi decidida num consenso, chega depois do acordo de Doha entre os líderes libaneses, que pôs fim à crise que o país atravessa há quase três anos e que este mês esteve a ponto de virar uma guerra civil.

O acordo, sob a fórmula "nem vencedores nem vencidos", prevê que as distintas facções libanesas "não voltarão a utilizar as armas, sob nenhuma circunstância, para conseguir objetivos políticos".

Em declaração ao jornal "An-Nahar", o presidente do Parlamento, o xiita Nabih Berri, disse que desejava que a escolha presidencial fosse como "um casamento completo", e comentou: "sinceramente, considero que o que foi decidido em Doha teve um impacto positivo sobre todas as partes. Elas mostram ter boas intenções".

O acordo de Doha permitiu também a formação de um Governo de união nacional - depois que fosse concedido pela oposição, liderada pelo grupo xiita Hisbolá - e o direito a veto com um terço dos ministérios.

Também se conseguiu o desmantelamento do acampamento que a oposição, liderada pelo Hisbolá, mantinha desde 1º de dezembro de 2006 no centro de Beirute, que estava transformado em uma área fantasma.

O desaparecimento das barracas voltou a dar vida a essa região de Beirute, um dos lugares preferidos dos turistas que visitam o país, onde novamente é difícil encontrar uma mesa nos restaurantes durante as noites. EFE ks/fh/fb

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