Pelo menos duas pessoas morreram e outras 20 ficaram feridas em uma explosão que atingiu um prédio residencial na cidade de Trípoli, no norte Líbano, neste sábado. Segundo informações da polícia libanesa, a explosão atingiu a entrada de um prédio no bairro muçulmano sunita de Bab Tabbaneh às 5h30 (23h30 horário de Brasília). A causa ainda não foi determinada.

Sirenes das ambulâncias tomaram conta do local e, segundo médicos, a maioria dos feridos é formada por mulheres e crianças.

Entretanto, as equipes de resgate enfrentavam dificuldades em atender os feridos devido ao fogo de franco-atiradores, segundo informaram as autoridades.

Tropas do Exército e forças de segurança foram posicionadas no local. De acordo com a polícia, milicianos voltaram às ruas de Tabbaneh depois de franco-atiradores no bairro vizinho de Baal Mohsen abrirem fogo contra eles.

AFP
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Explosão provocou estragos
Além das vítimas, a explosão também deixou várias lojas do térreo e quatro apartamentos do primeiro andar danificados. Vários carros também foram atingidos na rua.

A cidade de Trípoli foi palco de violentos combates no último domingo e na segunda-feira entre facções pró-governo de Tabbaneh e militantes da oposição liderada pelo Hezbollah do bairro de Baal Mohsen, deixando dez mortos e 55 feridos.

Nos confrontos, que se deram nos mesmos bairros da explosão de hoje, foram usados morteiros e lança-granadas, obrigando a intervenção do Exército até que se chegasse a uma trégua entre os dois lados.

Tensão

Segundo o parlamentar Mustafa Alloush, a situação em Tripoli é "muito tensa" e podem ocorrer novos combates a qualquer momento. Ele fez uma forte crítica ao Exército por não "cumprir completamente seus deveres" para coibir a violência.

O Líbano vem registrando uma série de confrontos e outros incidentes em vários pontos do país nas últimas semanas.

Vários combates armados foram registrados no Vale do Bekaa, no sul e nas montanhas acima de Beirute, exigindo ações do Exército e das forças de segurança.

Na capital, quase diariamente ocorrem incidentes entre as facções políticas rivais.

Por isso, o recém-eleito presidente Michel Suleiman determinou que as Forças de Segurança Internas e o Exército libanês agissem e colocassem mais tropas e veículos blindados para patrulhar as ruas e conter as tensões.

Sem governo

Desde a assinatura do Acordo de Doha no mês passad, que pôs fim a violentos conflitos que resultaram na morte de 65 pessoas e 200 feridos, somente a eleição do presidente Suleiman foi cumprida.

A maioria parlamentar apontou o primeiro-ministro Siniora para um novo mandato, com a missão de formar um novo gabinete.

Porém, nas últimas semanas as duas facções políticas não conseguiram chegar a um acordo sobre quais ministérios cada lado deve ganhar e quais devem ficar para o presidente.

A oposição liderada pelo partido xiita Hezbollah quer ministérios importantes, como os de Relações Exteriores, Defesa e Finanças, o que é totalmente rejeitado pelos governistas.

Com a demora na formação do governo e a alta nos preços de alimentos e combustíveis, o descontentamento e as trocas de acusações entre militantes de ambos os lados voltaram a crescer.

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