Forte explosão atinge centro de Jerusalém

Atentado a bomba deixa 1 morto e ao menos 30 feridos e é lançado em meio ao aumento de tensão entre Israel e o grupo Hamas

iG São Paulo |

Uma bomba explodiu nesta quarta-feira em um ponto de ônibus lotado do lado de fora do Centro de Convenção internacional em Jerusalém, do lado oposto da rodoviária central da cidade. A explosão deixou um morto e pelo menos 30 feridos, sendo dois com gravidade, cinco a oito moderadamente e o restante levemente, disse o comandante de polícia Aharon Franko citado pelo Haaretz.

De acordo com o jornal israelense, a explosão pôde ser ouvida em toda a cidade e destruiu as janelas de dois ônibus cheios. O dispositivo explosivo aparentemente foi escondido em uma mala perto de um orelhão. "A bomba estava dentro de uma bolsa, deixada no ponto de ônibus", afirmou o ministro israelense de Segurança Interna, Yithzak Aharonovitch. De acordo com uma fonte policial, o dispositivo tinha um quilo de explosivos.

A explosão, que ocorreu pouco depois das 15h locais (10h de Brasília) e abalou prédios a centenas de metros de distância, deixou cerca de 20 feridos em um dos ônibus atingidos. O motorista havia parado para pegar passageiros em um ponto entre a estação central e o centro de conferências, na entrada ocidental de Jerusalém. Fontes médicas informaram que muitos feridos foram atingidos por estilhaços.

O último atentado terrorista em Jerusalém aconteceu em 6 de março de 2008, quando um palestino atacou um centro de estudos talmúdicos em Jerusalém Ocidental, deixando oito mortos e nove feridos. O ataque foi lançado em meio ao aumento de tensão entre os militantes do grupo islâmico Hamas e Israel.

Bombardeios na Faixa de Gaza

Aviões israelenses lançaram ataques aéreos contra a Cidade de Gaza nesta quarta-feira, horas depois de militantes palestinos terem disparado dois foguetes contra o sul de Israel. Um dos foguetes atingiu a maior cidade da região, Beer Sheva, ferindo levemente quatro pessoas, segundo o Exército israelense. O segundo caiu perto da cidade de Ashdod.

O grupo palestino extremista Jihad Islâmica assumiu a autoria dos ataques, afirmando que foram uma represália à morte de oito palestinos em um ataque de Israel perto da Cidade de Gaza , incluindo duas crianças, na terça-feira.

A nova onda de violência é considerada a mais grave desde a "Operação Chumbo Fundido" – a ofensiva israelense à Faixa de Gaza de dezembro de 2008 a janeiro de 2009, que deixou cerca de 1,4 mil mortos do lado palestino e 13 do lado israelense.

O vice-primeiro-ministro de Israel, Silvan Shalom, afirmou que, se a violência continuar, "não teremos alternativa, exceto uma segunda operação Chumbo Fundido".

O primeiro-ministro israelense, Benjamin Netanyahu, disse nesta quarta-feira que as forças de Israel continuariam a mostrar "firme determinação" e a realizar ataques: "As IDF (Forças de Defesa de Israel, na sigla em inglês) estão agindo e agirão contra organizações terroristas na Faixa de Gaza", disse o premiê, após os ataques com morteiros e foguetes. "Nenhum Estado está preparado para tolerar ataques com foguetes contínuos contra seus cidadãos", afirmou.

Pânico

Após os ataques com foguetes palestinos, a prefeitura de Beer Sheva ordenou o fechamento de todas as escolas depois que os foguetes atingiram a cidade, causando pânico na população. O grupo Jihad Islâmico afirmou que os ataques eram "apenas uma reação preliminar aos crimes do sionismo contra nosso povo em Gaza".

Outro grupo palestino, o Comitê de Resistência Popular, assumiu a autoria de ataques com oito morteiros que foram lançados contra o sul de Israel.

Depois de 26 meses de uma relativa trégua entre Israel e os grupos militantes palestinos da Faixa de Gaza, a nova onda de violência teve início na terça-feira da semana passada, quando dois membros importantes do braço armado do Hamas foram mortos por um bombardeio israelense.

O analista militar do canal 10 da TV israelense, Alon Ben David, apontou aquele momento como o início da nova escalada e afirmou que o contra-ataque a morteiros lançados pelos palestinos tinha ido "além das proporções pontuais segundo as quais o Exército israelense costuma reagir" a esse tipo de ataque.

Nabil Abu Rodeina, porta-voz do presidente palestino, Mahmoud Abbas, acusou Israel de "provocar uma escalada para sabotar as tentativas dos palestinos de uma reconciliação nacional".

Nos últimos dias, Abbas – do grupo Fatah – e o líder do Hamas na Faixa de Gaza, Ismail Haniyeh, vinham mencionando a possibilidade de um encontro para pôr um fim à cisão entre as duas facções, que já vigora há quase quatro anos.

*Com AFP, AP e BBC

    Leia tudo sobre: israelpalestinosJersulalém

    Notícias Relacionadas


      Mais destaques

      Destaques da home iG