Forte crescimento de Angola não tira seus moradores da pobreza

Johanesburgo, 4 set (EFE).- Apesar do forte crescimento econômico registrado nos últimos anos devido ao elevado preço do petróleo, Angola realiza eleições legislativas amanhã imersa em um ambiente de pobreza, com serviços de educação e saúde muito precários.

EFE |

No segundo semestre de 2008, Angola se transformou no maior exportador de petróleo da África, com quase 1,9 milhão de barris por dia.

O país ficou pela primeira vez à frente da Nigéria, onde a violência fez com que a produção caísse quase 20% em poucos meses, segundo o último relatório da Organização dos Países Exportadores de Petróleo (Opep).

A riqueza petrolífera, cuja exploração disparou a partir de 2002, depois do fim dos 27 anos de guerra civil, multiplicou o produto interno bruto (PIB) de Angola, que no ano passado superou os US$ 91 bilhões, um crescimento de 21,1%, segundo o Departamento de Estado americano.

Esse crescimento, o maior da África, cuja média anual desde 2004 chega a quase 18%, fez com que a renda per capita de seus pouco mais de 16 milhões de habitantes chegasse a US$ 5.600 em 2007.

No entanto, a distribuição de renda no país é uma das mais desiguais do mundo, o que faz com que cerca de 70% dos angolanos vivam na pobreza ou na indigência.

O petróleo foi responsável no ano passado por 51,7% do PIB de Angola e por 95% de suas exportações, mas o lucro, segundo analistas locais, fica com as multinacionais dos EUA, França e Reino Unido, que o exploram, e nos cofres do Governo, por causa da "corrupção é generalizada".

O lucro gerado pelos diamantes, que renderam a Angola cerca de US$ 1,1 bilhão em 2006, também ficou nas mãos de poucas pessoas, enquanto a maioria da população luta para sobreviver.

Os números da macroeconomia do país são mais que positivos e se espera o mesmo ritmo de crescimento nos próximos anos, mas a maioria das famílias angolanas vive na miséria e sofre com uma inflação que no ano passado foi de 12,2%.

Em seu relatório para os anos de 2007 e 2008, o Programa das Nações Unidas para o Desenvolvimento (Pnud) situou Angola na 162ª posição, em um ranking de 171 países, uma posição que reflete a grave situação da distribuição de renda no país.

Segundo o relatório, o crescimento da população é um dos mais altos da África, com uma taxa de 2,8% ao ano, e a esperança de vida está entre as mais baixas do continente, com 43 anos para as mulheres e 40 anos para os homens, além de uma terrível taxa de mortalidade infantil que chega aos 230 por mil.

Ainda de acordo com o texto do Pnud, 17% dos homens e 46% das mulheres em Angola são analfabetos, e calcula-se que somente 19% da população masculina e 15% da feminina chegam ao ensino médio no país.

Estes números foram rebatidos pelo Governo do presidente José Eduardo dos Santos, que acusou o Pnud de utilizar dados antigos - de 2004 e de anos anteriores - e anunciou investimentos milionários para combater a pobreza e fornecer educação e saúde à população.

O Governo também prometeu promover a agricultura, que tem grande potencial, mas que até agora foi somente de sobrevivência, e iniciou projetos de infra-estrutura viária e de construção de casas.

No entanto, essas iniciativas acontecem em um ritmo muito menor do que o que a população reivindica, segundo analistas locais. EFE cho/mh

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