Fornecedores nuclear validam proposta americana de comércio com a Índia

O grupo de fornecedores nucleares, que controla a exportação e a venda de tecnologias nucleares no mundo, adotaram neste sábado uma proposta americana suspendendo um embargo sobre o comércio com a Índia, que já dura34 anos, indicou a delegação austríaco.

AFP |

"Depois de muitas negociações, o Grupo de fornecedores nucleares (NSG) adotou hoje uma exceção para as exportações nucleares para a Índia", indicou o ministério austríaco dos Assuntos Estrangeiros em um comunicado.

Após dois dias de discussões infrutíferas, o acordo de consenso foi concluído após 90 minutos de uma reunião suplementar na manhã deste sábado, quando a Áustria, um dos últimos Estados hostis à proposta americana, obteve um comprometimento formal da Índia com a não-proliferação, mais uma promessa de não realizar testes nucleares.

A reunião deste grupo de 45 países foi interrompida por volta da meia-noite deste sábado com a retirada da delegação chinesa que pedia, como a Áustria, a Irlanda e a Nova Zelândia, um comprometimento claro de Nova Délhi de não realizar testes nucleares.

"Este é um dia histórico para o país", comemorou Digvijay Singh, um dos responsáveis do partido do Congresso, no poder na Índia, ao canal de televisão indiano NDTV.

"O mundo reconheceu a credibilidade do país", acrescentou, destacando que o acordo permite avançar na redução da "diferença entre oferta de energia e demanda no país".

"É um momento histórico para o NSG, para a Índia, para as relações dos EUA com a Índia, na verdade para as relações da Índia com o resto do mundo", declarou à imprensa em Viena o subsecretário de Estado americano encarregado do controle dos armamentos, John Rood.

O acordo do NSG era indispensável para que o Congresso americano ratifique o acordo de cooperação no nuclear civil, assinado com a Índia em 2005. Ele pode ser ratificado este ano antes do fim do mandato do presidente George W. Bush.

A Índia, que não é assinante do Tratado de Não-proliferação (TNP) e cujo primeiro teste nuclear remonta a 1974, não podia até então receber nem material, nem tecnologias nucleares estrangeiras, porque as regras do NSG proibiam qualquer comércio com os Estados não assinantes do TNP.

Segundo Washington, o novo acordo aproximará a Índia dos países assinantes do TNP depois de 34 anos de isolamento e ajudará a combater o aquecimento climático, permitindo a uma das principais economias mundiais de desenvolver uma fonte de energia que polui pouco a atmosfera.

Os países que criticam o acordo EUA-Índia afirmam, em contrapartida, que ele coloca em risco os esforços internacionais de não-proliferação ao dar a um país não assinante do TNP acesso às tecnologias nucleares americanas.

As discussões em Viena entravam em três pontos principais: a suspensão de qualquer comércio se a Índia realizar testes nucleares, a interdição da transferência de tecnologias de enriquecimento e de reciclagem de combustível nuclear e um relatório anual sobre o acordo.

Mas a questão dos testes foi a predominante: a Índia não assinou o tratado de interdição dos testes nucleares.

Durante a reunião, Nova Délhi destacou que se compromete a uma moratória voluntária e unilateral sobre os testes nucleares. Mas a Nova Zelândia, a Irlanda e a Áustria queriam comprometimento mais forte.

spm/lm

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