Forças russas em região separatista da Geórgia são de paz, diz Moscou

Moscou, 12 mai (EFE).- A Rússia criticou hoje duramente as afirmações do subsecretário de Estado adjunto dos Estados Unidos, Matthew Bryza, de que as novas tropas russas desdobradas em território da região separatista georgiana da Abkházia não são forças de paz.

EFE |

"Não é a primeira vez que Bryza demonstra desconhecimento da situação real e dos eventos que ocorrem na zona de conflito", afirmou Boris Malajov, porta-voz do Ministério de Assuntos Exteriores da Rússia.

Malajov indicou que as afirmações do diplomata americano durante sua visita a Sujumi, capital da Abkházia, "não correspondem com a realidade".

Na opinião da Chancelaria russa, o enviado americano sempre vê a situação em torno da Abkházia exclusivamente "sob o prisma georgiano".

O porta-voz russo se referiu ao "aumento unilateral das Forças Armadas georgianas nas fronteiras com a Abkházia e aos vôos regulares de aviões espiões não tripulados sobre o espaço aéreo" da região separatista.

Bryza afirmou no sábado à Agência Efe que "as novas tropas aéreas russas não se unirão ao contingente de paz russo. Estão em outro lugar".

"Não se sabe onde estão ou o que fazem. Isso é perigoso", declarou em Sujumi, capital da Abkházia, em conversa telefônica.

Bryza classificou de "provocação" a recente decisão da Rússia de aumentar de 2000 para 2500 seus soldados na região Abkázia devido a uma suposta acumulação de tropas por parte georgiana na fronteira com a região separatista e "a ameaça do uso da força".

"Isso não é verdade. Segundo os observadores da ONU na região, a Geórgia não enviou tropas nem à zona de conflito nem ao desfiladeiro de Kodori", ressaltou.

O porta-voz da Chancelaria russa afirmou hoje que "parece que Bryza desconhece que em 29 de abril e 3 de maio deste ano o comando das forças da paz informou detalhadamente ao ministro georgiano de Defesa as razões do aumento do contingente de paz ".

Bryza afirmara no sábado que as recentes decisões russas "criam obstáculos para a paz e estabilidade na zona (...) e contradizem o desejo da Rússia de ser mediador no processo de regra do conflito", disse.

"Temos a impressão, embora possamos estar equivocados, de que em Moscou há certas pessoas que gostariam de aumentar o nível de tensão e provocar uma ação militar", apontou.

O enviado americano também insistiu na solução do conflito entre Tbilisi e as regiões separatistas Abkházia e Ossétia do Sul no marco das fronteiras internacionalmente reconhecidas da Geórgia.

O presidente da Geórgia, Mikhail Saakashvili, denunciou hoje que as forças de interposição russas eram "participantes ilegais" do processo, e qualificou a Rússia com "parte do conflito", por dar apóio econômico aos separatistas e protegê-los com suas tropas.

Tbilisi mantém que Moscou não tem direito de aumentar sua presença militar na zona do conflito sem o consentimento da parte georgiana e nega que tenha planos de invadir os territórios separatistas, para os quais ofereceu ampla autonomia.

A Abkházia, que rompeu laços com a Geórgia após uma guerra cruel (1992-93) na qual contou com a ajuda de Moscou, pediu ao Kremlin e à comunidade internacional que reconheçam sua independência. EFE io/fb

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