Por Erick Duran CUERNAVACA, México (Reuters) - Forças de segurança do México mataram a tiros Arturo Beltrán Leyva, um dos traficantes mais procurados do país, no maior golpe ao narcotráfico já imposto pelo governo de Felipe Calderón.

Beltrán Leyva, conhecido como "chefe dos chefes", recebeu uma saraivada de tiros na quarta-feira à noite num condomínio de luxo na cidade turística de Cuernavaca. Seis seguranças dele também morreram no confronto.

Trata-se de uma importante vitória para o governo, que assistia impotente nos últimos meses ao aumento da violência relacionada ao tráfico de drogas e a uma redução nas prisões.

Calderón, que está em Copenhague para a cúpula climática da ONU, elogiou a operação. "A inteligência é uma arma eficaz e poderosa na luta contra o crime organizado", disse.

O cartel de Beltrán Leyva é um dos seis que disputam o controle do tráfico de cocaína no México, numa guerra que já matou 16.000 pessoas desde que Calderón tomou posse, no final de 2006, e mobilizou as Forças Armadas para reprimir a violência relacionada às drogas.

Apesar da presença de 49 mil soldados em todo o país, as mortes entre quadrilhas dispararam neste ano, atingindo 7.000, e atrocidades como torturas e decapitações são comuns, ameaçando a imagem do México como um destino estável para turistas e investidores.

Imagens da operação policial mostraram o corpo ensanguentado de Leyva no chão do apartamento, cercado por vidro estilhaçado.

Forças de elite da Martinha mexicana mataram o traficante ao invadir sua residência, cujos aposentos estavam cheios de fuzis, roupas novas e itens como um álbum de família, uma bíblia, botas de pele de crocodilo e pratos de frutas.

Beltrán Leyva dirigia um cartel no noroeste do México e é o traficante mais importante já morto pelas forças mexicanas desde que o chefe do cartel de Tijuana, Ramon Arellano Felix, foi morto em 2002, durante o governo de Vicente Fox.

Chamado de "botas brancas" por causa de suas botas de caubói, ele desfrutava da proteção de policiais corruptos na Cidade do México e nos estados vizinhos.

"Essa é uma vitória para Calderón em curto prazo, mas a posição (de Leyva) será preenchida rapidamente", disse Alberto Islas, um analista de segurança da Cidade do México. Ele prevê mais violência conforme os cartéis rivais tentarem assumir o território de Leyva.

Havia uma recompensa de 2,4 milhões de dólares pela captura de Leyva no México, onde ele era procurado por crime organizado e sequestro.

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