Israel voltou a empreender ataques aéreos contra o sul da Faixa de Gaza na noite desta quarta-feira, depois de uma trégua de três horas para que ajuda humanitária pudesse entrar na região. Desta vez, o alvo dos bombardeios parecem ser os túneis na fronteira de Gaza com o Egito.

Segundo o governo israelense, estes túneis são usados pelo grupo militante palestino Hamas para contrabandear armamentos para dentro do território.

Segundo o editor de Oriente Médio da BBC, Jeremy Bowen, que está próximo à fronteira do Egito com Rafah, foi possível ouvir o ruído dos helicópteros israelenses e ao menos uma explosão no sul de Gaza na noite de quarta-feira.

Antes, aviões israelenses lançaram panfletos sobre a cidade de Rafah alertando a população sobre a retomada nos ataques.

"O Hamas usa as suas casas para esconder e contrabandear armamentos, por isso as Forças de Defesa de Israel irão atacar esta área", diziam os panfletos.

Informações ainda não confirmadas também dão conta de que tanques israelenses teriam avançado, com a cobertura de helicópteros, até a cidade de Khan Younis, também ao sul de Gaza, pouco depois das 0h, horário local.

Antes da retomada nos ataques, agências humanitárias em Gaza informaram que palestinos correram para comprar produtos de primeira necessidade durante a trégua temporária.

Os funcionários da agência da ONU de auxílio aos refugiados palestinos em Gaza comemoraram a promessa israelense de tréguas temporárias diárias, mas afirmaram que apenas um cessar-fogo completo permitirá a distribuição de ajuda a todos dos necessitados.

Autoridades médicas palestinas afirmam que pelo menos 683 palestinos morreram desde o início dos confrontos, em 27 de dezembro. Outros 3.085 teriam ficado feridos.

O número de mortos em Gaza não pode ser confirmado por fontes independentes.

Mais de 20 foguetes palestinos atingiram Israel durante esta quarta-feira.

Sete soldados israelenses morreram, até agora, nos confrontos em terra e quatro civis foram mortos por foguetes palestinos.

Trégua
Dando continuidade aos esforços diplomáticos para alcançar uma trégua em Gaza, Israel confirmou que um alto funcionário de sua Defesa, Amos Gilad, viajará ao Cairo, no Egito, nesta quinta-feira, para discutir a proposta de cessar-fogo apresentada pelos governos egípcio e francês.

Segundo o jornal israelense Haaretz, no entanto, as negociações devem ser difíceis.

O maior problema está no fato de que Israel exige uma solução para o contrabando de armas como pré-condição para um cessar-fogo, enquanto o Egito pede uma trégua e a abertura da fronteira com Gaza antes de uma resolução a respeito dos túneis ao sul da região.

Nesta quarta-feira, o governo israelense afirmou que "aceita em princípio" do plano de cessar-fogo franco-egípcio, que também foi apoiado pelos Estados Unidos, mas que precisa analisar seus detalhes.

O embaixador egípcio na ONU, Maged Abdelaziz, também afirmou que uma delegação do Hamas está sendo esperada no Cairo para negociações "técnicas" paralelas.

Os representantes do Hamas e de Israel, no entanto, não devem se encontrar.

Já o presidente da Autoridade Palestina, Mahmoud Abbas, deve chegar o Cairo para negociações na próxima sexta-feira.

Enquanto isso, os esforços do Conselho de Segurança da ONU, que se reuniu mais uma vez em Nova York, chegaram a um entrave na noite desta quarta-feira.

A Líbia, com o apoio dos países árabes, apresentou o rascunho de uma resolução pedindo um cessar-fogo imediato.

A proposta, no entanto, recebeu oposição dos Estados Unidos, que afirmou que a linguagem do rascunho era parcial e muito crítica a Israel.

Por outro lado, França, Grã-Bretanha e Estados Unidos apresentaram uma proposta de resolução mais amena, que apenas elogia a iniciativa diplomática egípcia.

Os países árabes protestaram, afirmando que a credibilidade do Conselho de Segurança está em jogo e que ele deve agir imediatamente com uma resolução que coloque um fim na crise.

As negociações continuam, mas qualquer proposta de resolução pode receber o veto dos Estados Unidos e dos outros membros permanentes do CS.

    Faça seus comentários sobre esta matéria mais abaixo.