Forças israelenses entram em choque com palestinos durante protestos

Um palestino morreu durante os confrontos no dia de manifestações contra ocupação de territórios pro Israel

iG São Paulo |

Forças de segurança de Israel e manifestantes palestinos entraram em choque em diferentes regições durante o Dia da Terra , data na qual palestinos protestam contra a ocupação de seus territórios por israelenses. Ao menos um palestino morreu e dezenas ficaram feridos nos distúrbios. Do lado de Israel, um homem foi baleado e ferido.

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Reuters
Forças de segurança israelenses enfrentam manifestantes palestinos em Ramallah
Há relatos de confrontos em Jerusalém, Cisjordânia, Faixa de Gaza, Belém e Erez, entre outras regiões. Segundo testemunhas, forças israelenses lançaram bombas de gás lacrimogêneo, balas de borracha e bombas de efeito moral para dispersar os manifestantes palestinos, que atiravam pedras. Soldados israelenses disseram que os manifestantes jogaram pedras e coquetéis molotov contra os militares, além de queimarem pneus.

À Associated Press, Adham Abu Salmia, funcionário do sistema de saúde em Gaza, disse que forças israelenses atiraram contra Mahmoud Zaqout, 21 anos, e deixaram gravemente ferido um outro homem que se aproximava da fronteira durante a manifestação. Eles participavam de um protesto que reuniu cerca de 15 mil manifestantes e foi organizado pelo Hamas.

Militares israelenses disseram terem usado gás lacrimogêneo e dado disparos de alerta antes de atirar contra Zaqout. Abu Salmia disse que outros 37 palestinos ficaram levemente feridos, enquanto forças israelenses disseram que foram cerca de 29.

Em Jerusalém Oriental, há relatos de que as forças israelenses bateram em manifestantes e detiveram vários deles, incluindo o ex-ministro para Assuntos de Jerusalém da Associação Nacional Palestina (ANP), Hatem Abdul Qader. 

Por causa do Dia da Terra, o governo de Israel deslocou soldados para as fronteiras com o Líbano, Síria e Jordânia e reforçou batalhões na Cisjordânia e na fronteira com a Faixa de Gaza. Neste ano, grupos palestinos convocaram a chamada "Marcha Global para Jerusalém".

De acordo com os organizadores, as manifestações contra a ocupação de terras palestinas e contra a "judaização" de Jerusalém, tanto na Cisjordânia e na Faixa de Gaza como nos países vizinhos. Israel advertiu os governos dos países vizinhos de que reagiria com força a qualquer tentativa de manifestantes de ultrapassar as fronteiras. 

AP
Palestinos atiram pedras em tropas israelenses no posto de controle de Kalandia, entre Jerusalém e Ramalá

A data lembra os incidentes ocorridos em 30 de março de 1976, quando seis cidadãos árabes - israelenses foram mortos pela polícia durante um protesto contra o confisco maciço de terras pertencentes a aldeias na Galileia, segundo o plano do governo de Israel de "Judaização da Galileia". 

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Desde então, a data, denominada Dia da Terra, foi adotada por palestinos, tanto nos territórios ocupados como na diáspora, e tornou-se uma das celebrações mais sensíveis do ano, na qual se realizam protestos que frequentemente resultam em confrontos com as autoridades israelenses.

Fronteira

Neste ano, além dos protestos nos territórios ocupados e dentro de Israel, foram anunciadas manifestações no Líbano, na Síria e na Jordânia. Depois do precedente de maio de 2011, quando refugiados palestinos residentes na Síria e no Líbano tentaram ultrapassar as fronteiras, as autoridades israelenses se preparam para uma eventual repetição da tentativa.

Naquela ocasião, manifestantes palestinos protestaram no dia 15 de maio - data da criação do Estado de Israel, a qual denominam Nakba, que significa catástrofe, em árabe. O Exército israelense abriu fogo contra os refugiados, que tentavam cruzar as fronteiras a pé, matando 13 pessoas.

Os organizadores da Marcha Global para Jerusalém (GMJ) anunciaram que seu objetivo é "acabar com a política sionista de apartheid, limpeza étnica e judaização, que prejudicam o povo, a terra e a santidade de Jerusalém". Segundo o anúncio, a iniciativa envolve "uma coalizão de palestinos, árabes e ativistas internacionais, unidos na luta para liberar a cidade santa de Jerusalém da ocupação sionista ilegal".

Com AP, Reuters e EFE

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