Forças de segurança mataram 157 em protesto na Guiné, diz ONG

Pelo menos 157 pessoas teriam sido mortas na segunda-feira em Conacri, capital da Guiné, na África Ocidental, quando soldados do país dispararam contra manifestantes de oposição, segundo uma ONG do país. A Organização Guineana para Defesa dos Direitos Humanos afirmou nesta terça-feira que, além dos 157 mortos, mais de 1,2 mil pessoas teriam ficado feridas, mas estas informações ainda não foram corroboradas.

BBC Brasil |

As autoridades da Guiné só admitiram, até agora, as mortes de 57 pessoas.

O correspondente da BBC em Conacri Alhassan Sillah disse que, em entrevistas a emissoras locais de rádio, Moussa Dadis Camara disse que as forças de segurança foram provocadas e que era difícil controlá-las quando há tensão no país. O líder militar da Guiné afirmou que esses "soldados incontroláveis" eram os responsáveis pela violência.

A manifestação foi convocada na segunda-feira devido a boatos de que o capitão do Exército Moussa Dadis Camara, que assumiu o poder no país liderando a Junta militar desde a morte do presidente Lansana Conté, em dezembro, pretenderia concorrer à Presidência nas próximas eleições, em janeiro.

Estupros
Segundo o líder oposicionista Sydia Toure, os soldados abriram fogo contra uma manifestação que contava com cerca de 50 mil participantes.

Grupos de defesa dos direitos humanos dizem ter informações de que os soldados estupraram mulheres em plena rua e atacaram manifestantes com golpes de baioneta.

"Vi os Boinas Vermelhas (unidade militar de elite do país) pegar algumas mulheres que tentavam fugir, rasgar suas roupas e colocar as mãos em suas partes íntimas", disse uma testemunha à organização Human Rights Watch.

"Outros batiam nas mulheres, incluindo seus órgãos genitais. Deu pena, as mulheres gritavam."
Outra testemunha disse à organização que viu "várias mulheres sem roupas sendo colocadas em caminhões militares e levadas embora. Não sei o que aconteceu com elas". ONU
As mortes na Guiné foram condenadas por várias organizações internacionais, como a União Africana e a ONU, e por governos de outros países.

O secretário-geral da ONU, Ban Ki-moon, pediu que as autoridades da Guiné ajam com o máximo de moderação.

Há informações de que o bloco regional Ecowas (Comunidade Econômica dos Estados do Oeste Africano, na sigla em inglês) e a União Africana estão estudando a aplicação de sanções contra o regime militar.

A Guiné, um dos principais exportadores de bauxita do mundo, mas cuja população vive em sua maioria com menos de US$ 1 por dia, foi governada com mão de ferro por Lansana Conté por 24 anos.

Logo após a morte de Conté, em dezembro de 2008, uma junta militar liderada pelo então desconhecido capitão Moussa Dadis Camara tomou o poder.

Soldados e tanques foram enviados para as ruas do país, para estabelecer bloqueios. Não houve violência na ocasião.

A junta prometeu realizar eleições livres depois de um período de transição de dois anos, no final de 2010.

De acordo com Caspar Leighton, correspondente da BBC em Acra, capital de Gana, depois da manifestação de segunda-feira, os soldados estão patrulhando as ruas de Conacri e a maioria das pessoas permanece em casa.

O correspondente afirma ainda que os soldados que dispararam contra os manifestantes foram identificados como integrantes da guarda presidencial.

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