Teerã, 5 jan (EFE).- As forças de segurança do Irã detiveram pelo menos 30 estudantes na universidade Khayyam, na cidade de Mashhad (leste), informou hoje o site Jaras, administrado pela oposição.

Segundo a fonte, os estudantes foram detidos no sábado após uma manifestação em apoio ao movimento de oposição e em protesto pela repressão e detenção de dezenas de colegas na universidade de Azad.

Durante a concentração, os universitários gritaram palavras de ordem como "morte ao ditador", "liberdade para os estudantes detidos" e "Hussein, Mir Hussein", em alusão a Mir Hussein Moussavi, líder do movimento oposicionista.

Segundo o site "Jaras", as forças de segurança e milicianos "Basij" vestidos à paisana filmaram a concentração. Ao término da mesma, quando os estudantes saíam, detiveram "mais de 30, entre eles sete meninas".

O Irã está imerso em uma grave crise política e social desde junho passado, quando centenas de milhares de pessoas saíram às ruas do país para protestar contra a reeleição do presidente iraniano, Mahmoud Ahmadinejad, considerada fraudulenta pela oposição.

Os protestos, que não cessaram desde então, se recrudesceram no último dia 27, quando oito pessoas morreram, segundo números oficiais, nos confrontos entre as forças de segurança e grupos de manifestantes.

Além disso, ao redor de 500 pessoas foram detidas, das quais 300 ainda estão na prisão, entre elas mais de 20 partidários da oposição.

Na semana passada, quase 100 catedráticos e professores da Universidade de Teerã enviaram uma carta aberta ao líder supremo da Revolução Islâmica, aiatolá Ali Khamenei, criticando a repressão estudantil.

"Os assaltos noturnos às residências dos estudantes indefesos, os ataques diurnos no campus, as agressões e detenções, não são uma demonstração do poder do Estado nem dão brilho ao seu caráter islâmico e republicano", diz a carta, citada pelo "Jaras".

"Para nós, é muito difícil crer que na República Islâmica é possível que um grupo armado até os dentes tenha permissão para agir no interior da universidade e agredir durante dois dias os estudantes e insultar os catedráticos", aponta o texto. EFE msh-jm/bba

    Faça seus comentários sobre esta matéria mais abaixo.