Forças de segurança invadem centro judaico em Mumbai

Forças de segurança indianas invadiram, nas primeiras horas desta sexta-feira, o centro judaico de Mumbai, Índia, onde extremistas mantêm pessoas como reféns. Imagens da TV indiana mostraram soldados descendo por meio de cordas de um helicóptero que sobrevoava o local e oficiais se aproximando por terra do escritório do centro judaico Chabad Lubavitch.

BBC Brasil |

Segundo o correspondente da BBC David Loyn, os soldados inicialmente atiraram bombas de fumaça para confundir os extremistas que mantêm reféns no prédio.

Ainda não há mais informações sobre o desenvolvimento da ação.

Tensão
Horas antes, uma mulher e uma criança saíram do local, mas ainda não está claro se elas foram libertadas pelos militantes ou se conseguiram escapar.

A criança foi identificada como o filho de dois anos de idade do rabino Gavriel Noach Holzberg, líder da comunidade.

O centro judaico está localizado no complexo comercial e residencial de Nariman, no sul de Mumbai.

Na noite da última quarta-feira, homens armados lançaram ataques em pelo menos sete locais diferentes da cidade indiana, matando pelo menos 120 pessoas e deixando cerca de 300 feridos.

Usando armas automáticas e granadas, os extremistas atacaram, além do centro judaico, dois hotéis, a principal estação ferroviária da cidade, um hospital e um restaurante freqüentado por turistas.

Reféns também foram feitos nos hotéis de luxo Taj Mahal Palace e Oberoi Trident.

A situação ainda não havia sido resolvida até a manhã desta sexta-feira (horário local)
Hotéis
Membros das forças policiais indianas continuam vasculhando na manhã desta sexta-feira os hotéis de luxo Taj Mahal Palace e Oberoi Trident, em busca de homens armados, possíveis reféns, ou pessoas que estão escondidas com medo de sair.

Segundo o correspondente da BBC, a polícia e o exército estão cautelosos em declarar que a situação nos dois hotéis já está sob controle.

Ele afirma que o hotel Taj Mahal é um complexo grande, onde militantes ainda poderiam estar escondidos. Segundo ele, foram ouvidos tiros durante a noite no hotel Oberoi.

Horas antes, o policial que comanda as operações, J. K. Dutt, havia afirmado que as buscas estavam quase finalizadas no Taj Mahal Palace - e que apenas um extremista ferido estaria lá dentro.

Outros dois atiradores ainda estariam escondidos do hotel Oberoi Trident, mas eles estariam isolados pelos policiais, segundo o oficial.

Pelo menos 39 pessoas teriam sido resgatadas do Oberoi na quinta-feira.

As informações sobre o número de possíveis reféns nos prédios é desencontrada.

A Marinha indiana também estaria realizando buscas em navios da costa oeste do país devido à suspeita de que os autores dos ataques chegaram a Mumbai por barco.

Dois barcos paquistaneses teriam sido apreendidos e a tripulação interrogada.

Al-Qaeda
A polícia disse que seis estrangeiros morreram nos ataques em Mumbai, além de cinco extremistas. Nove suspeitos de envolvimento nos ataques teriam sido presos.

Segundo o Ministério das Relações Exteriores da Grã-Bretanha, entre os mortos está um cidadão britânico. Informações dão conta de que, entre os estrangeiros mortos nos ataques, estariam também um alemão, um japonês e um italiano.

Não há informações sobre a presença de brasileiros entre as vítimas ou entre as pessoas mantidas reféns nos hotéis, segundo o vice-cônsul do Brasil em Mumbai, Chateaubriand Chapot Neto.

"Entramos em contato com as administrações dos dois hotéis e eles afirmaram que não havia nenhum brasileiro registrado lá no dia dos ataques. Também não recebemos notícias de que brasileiros possam estar entre as vítimas ou reféns", disse Chapot à BBC Brasil nas primeiras horas desta sexta-feira.

Conexão islâmica
Além do Brasil, vários governos estrangeiros lamentaram os ataques e manifestaram disposição em ajudar o governo indiano.

Relatos de testemunhas sugerem que os homens armados estavam buscando hóspedes dos hotéis com passaportes britânico ou americano.

O correspondente da BBC para assuntos de segurança, Frank Gardner, diz que, se esses relatos se confirmarem, pode haver uma conexão islâmica nos ataques.

Um grupo previamente desconhecido, que se apresentou como Deccan Mujahideen, reivindicou a autoria dos ataques.

Gardner afirma que um outro grupo pode ter se apresentado com esse nome ou que a reivindicação da autoria pode ser um truque.

Nos últimos meses, diversas cidades indianas foram alvo de ataques a bomba que deixaram dezenas de mortos. A polícia relacionou a maioria dos ataques a militantes islâmicos. Extremistas hindus também foram presos.

Singh e Paquistão
O primeiro-ministro da Índia, Manmohan Singh, prometeu nesta quinta-feira adotar "quaisquer medidas que sejam necessárias" para encontrar os responsáveis pelos ataques em Mumbai.

Singh, em um pronunciamento transmitido pela televisão, disse que os ataques foram "bem planejados e bem orquestrados" e "procuraram causar pânico ao visar alvos de grande destaque e matar estrangeiros de forma indiscriminada".

O primeiro-ministro afirmou ainda que os responsáveis são "de fora do país" e foram à Índia "com a determinação de criar caos na capital comercial do país".

Ele também alertou que a Índia não irá tolerar que extremistas usem países vizinhos como base para lançar ataques contra alvos indianos.

Singh não citou nenhum país especificamente, mas o ministro da Defesa paquistanês, Ahmed Mukhtar, negou que seu país tenha tido qualquer participação nos ataques.

Em julho de 2006, Mumbai foi alvo de uma série de ataques coordenados que deixou quase 190 mortos e mais de 700 feridos.

Na ocasião, a polícia indiana acusou a agência de inteligência do Paquistão de estar por trás do planejamento dos ataques de 2006, executados por militantes islâmicos. O Paquistão negou as alegações.

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