Forças de segurança indianas matam últimos terroristas em Mumbai

As forças de segurança indianas mataram neste sábado os últimos homens armados que estavam entrincheirados em um hotel de Mumbai, acabando desta forma com mais de dois dias de ataques e tiroteios conduzidos por extremistas islâmicos que deixaram pelo menos 195 mortos, entre os quais 26 estrangeiros.

AFP |

Os três últimos combatentes ainda entrincheirados no luxuoso Taj Mahal foram mortos na manhã deste sábado, afirmou a polícia, anunciando logo em seguida o fim das operações.

"Todas as operações estão encerradas. Todos os terroristas foram mortos", declarou Hassan Gafoor, o chefe da polícia de Mumbai, quase 60 horas depois do início dos ataques.

"Dissemos que havia três terroristas, e temos três corpos", ressaltou, por sua vez, J. K. Dutt, chefe da Guarda Nacional indiana, destacando que seus homens estavam avançando "quarto por quarto, para verificar que a situação está segura".

O Taj Mahal, um estabelecimento luxuoso da capital econômica indiana, era o último lugar onde extremistas islâmicos ainda estavam encurralados.

A polícia anunciara sexta-feira à noite o fim das operações no Oberoi Trident, o outro hotel de luxo invadido pelos islâmicos, pouco depois da intervenção das forças especiais indianas em um edifício abrigando um centro judeu ortodoxo, também ocupado por homens armados.

Segundo o último balanço oficial, fornecido neste sábado pelo departamento de gestão das catástrofes de Mumbai, a série de ataques deixou 195 mortos e 295 feridos.

As televisões do país se referiram a "um 11 de setembro indiano", em alusão aos atentados de 11 de setembro de 2001 nos Estados Unidos.

Nove terroristas foram mortos nas operações de comando indianas, e um décimo foi preso. Quinze membros das forças de segurança morreram durante os combates.

Fontes dos serviços de inteligência indianos afirmaram neste sábado à AFP que oito dos terroristas estavam infiltrados na cidade há um mês, conduzindo "missões de reconhecimento para preparar os ataques" e se fazendo passar por estudantes.

As ações terroristas lançadas na noite de quarta-feira em Mumbai tiveram como alvos principais turistas estrangeiros, sobretudo americanos, britânicos e israelenses. Contudo, os extremistas, muito bem armados, também atacaram alvos indianos, matando 50 pessoas na estação central de Mumbai e invadindo um hospital.

A morte de pelo menos 26 estrangeiros - oito israelenses, cinco americanos, dois franceses, dois australianos, dois canadenses, um britânico, uma cingapuriana um japonês, um italiano, uma tailandesa, um alemão e um mauriciano - foi confirmada por seus países respectivos.

Este balanço de vítimas estrangeiras ainda pode evoluir, principalmente no caso de algumas delas possuírem a dupla nacionalidade.

No âmbito diplomático, a tensão está crescendo entre a Índia e o Paquistão vizinho, que Nova Delhi acusou abertamente de estar por trás deste ataques, muito bem coordenados.

Islamabad, que desmentiu categoricamente qualquer envolvimento nos atentados, anunciou que enviará à Índia um simples representante para ajudar na investigação, e não o chefe dos serviços de inteligência, como fora anunciado na véspera.

O Paquistão prometeu punir qualquer gruupo baseado em seu território se a Índia fornecer a prova de que ele está envolvido nos ataques de Mumbai, afirmou neste sábado o ministro das Relações Exteriores, Shah Mehmood Qureshi.

Pouco depois, o presidente paquistanês, Asif Ali Zardari, conclamou a Índia a não reagir de forma excessiva aos ataques de Mumbai, e garantiu que mostrará a maior severidade se qualquer envolvimento paquistanês for comprovado.

"Seja quem forem os responsáveis por este ato primitivo e brutal contra o povo indiano e a Índia, eles querem provocar uma reação de vingança", declarou Zardari em uma entrevista à rede de televisão indiana CNN-IBN.

"Temos que nos colocar acima deles, e fazer com que não haja nenhuma reação excessiva", acrescentou.

Dirigentes ocidentais mencionaram a pista dos terroristas da Al-Qaeda.

O primeiro-ministro da Índia, Manmohan Singh, mantinha neste sábado uma reunião com os dirigentes do Exército e dos serviços de inteligência. "O premier quer um relatório detalhado dos ataques terroristas de Mumbai, e deseja que providências sejam tomadas", declarou um dos conselheiros de Singh.

Reféns libertados, policiais e soldados relataram cenas de terror. "São pessoas impiedosas. Atiravam em qualquer pessoa que estivesse na frente", comentou um militar.

Os ataques foram reivindicados por um grupo islâmico chamado Deccan Mujahedin.

Um dos agressores, entrevistado pela TV, disse que o grupo pedia o fim das "perseguições" contra os muçulmanos da Índia, uma comunidade de 150 milhões de pessoas que já foi alvo de violências no passado neste país de 1,2 bilhão de habitantes, em maioria hinduístas.

De acordo com a agência PTI, que citou fontes oficiais, três extremistas, entre os quais um paquistanês pertencendo ao grupo terrorista Laskhar-e-Taiba, foram detidos no Taj Mahal. Este grupo é conhecido por ter atacado o Parlamento indiano em 2001, um atentado que quase provocou uma nova guerra entre a Índia e o Paquistão.

Neste sábado, os jornais indianos criticaram novamente o governo e seus serviços de inteligência por não terem conseguido prevenir os ataques.

phz/yw

    Leia tudo sobre: iG

    Notícias Relacionadas


      Mais destaques

      Destaques da home iG