Forças de segurança atiram e matam 23 pessoas em Madagascar

ANTANANARIVO - Forças de segurança mataram pelo menos 23 pessoas e deixaram 83 feridas neste sábado em Antananarivo, capital de Madagascar, de acordo com membros dos Bombeiros. Os militares abriram fogo sobre um protesto em apoio ao prefeito destituído da cidade, Andry Rajoelina, e contra o governo, em frente ao palácio presidencial.

Redação com agências internacionais |

"Há 23 mortos e 83 feridos no Hospital Joseph Andravahangy Andrianavalona [hospital universitário do centro da capital]", declarou à agência de notícias AFP o chefe dos bombeiros de Antananarivo, Jaona Andrianaivo. "Não sei se há alguém nos outros hospitais", acrescentou.

Em duas semanas de protestos civis, alimentados por um conflito entre o presidente do país Marc Ravalomanana e o prefeito afastado de Antananarivo, 125 pessoas morreram e companhias que investem na ilha do Oceano Índico estão preocupadas.

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Manifestantes demonstram apoio ao prefeito afastado de Antananarivo

Rajoelina acusou o governo de assassinato de civis: "As pessoas não estavam armadas, elas tinham apenas sua coragem", disse em sua rádio particular Viva Radio, logo após os tiros.

Autoridades do governo não foram encontradas imediatamente para comentar. Um grande número de pessoas feridas chegaram sangrando ao principal hospital da cidade, algumas ficaram deitadas em macas nos corredores.

AFP
Homem foge dos tiros durante manifestação em Madagascar


"A multidão estava andando pacificamente, então de repente os militares abriram fogo", disse à agência de notícias Reuters Jocelyn Ratolojanahary, no hospital Ravoahangy Andrianavalona, enquanto tratava de um ferido. Ela afirmou que viu muitos corpos estirados no palácio.

A oposição acusa Ravalomanana de ser um ditador. O presidente, que disseminou uma reputação da quarta maior ilha do mundo como um lugar seguro para turistas, nega a acusação e tem pedido diálogo para encerrar o derramamento de sangue.

Uma semana trás, Rajoelina, de 34 anos, declarou que tomou o poder. Mais cedo, em uma reunião neste sábado, o ex-prefeito - que liderou uma série de greves e protestos contra o governo - nomeou um primeiro ministro. Ravalomanana, entretanto, disse que continua no posto de presidente.

Madagascar abriu suas portas para muitas companhias estrangeiras, que estão explorando petróleo, ouro, cobalto, níquel e urânio. Líderes do continente que se reuniram em uma conferência da União Africana na Etiópia nesta semana condenaram os ataques para tirar Ravalomanana do poder.

(Com informações da AFP e Reuters)

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